Opinião
O tempo e a raz�o - Editorial
Passados 17 anos de sua posse como presidente da República, e 15 anos de seu afastamento do cargo, o senador Fernando Collor de Mello usou ontem a tribuna do Senado, e ofereceu sua visão sobre tão relevantes fatos da vida política brasileira. Há anos, como bem expressou o então presidente, num dos momentos de pressão da crise que se armava contra seu mandato, ?o tempo é o senhor da razão?. É chegado o tempo de se avaliar o período 1989-1992 sob uma ótica ponderada, amadurecida. Naquele curto período de dois anos, sucederam-se acontecimentos políticos de grande monta e o Brasil mudou, em muitos aspectos fundamentais, como conseqüência direta das medidas adotadas naquele mandato interrompido. Apesar de parte do projeto de modernização do Brasil ter sido frustado, ou desviado de rumo, em função do afastamento do então presidente Collor, a Nação deve a esses dois anos de seu mandato os principais avanços referentes à abertura de mercado e à integração do País na economia globalizada. Desse tempo também ficou a esperança de uma revolução na educação, donde as fábricas de escolas deixaram uma saudade sentida, depois que seus sucessores fizeram naufragar o mais ousado projeto educacional da história do Brasil. Ontem, o ex-presidente, hoje senador da República, deu o primeiro passo para apresentação de sua versão. Corretamente, centrou sua fala no desmascaramento do conteúdo do movimento que o depôs: um golpe. Mais um golpe na sofrida história da República brasileira. A manipulação do processo parlamentar e o massacre orquestrado pela grande mídia foram os principais instrumentos do assalto a um mandato legitimamente conquistado. Mas o tempo não pára, nem a história se limita aos textos de encomenda. Ontem, um novo ciclo foi aberto para o debate político.