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Um t�mulo para Jesus?

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| Dom Edvaldo G. Amaral * ?No âmago da cultura do Ocidente, e não só do Ocidente, Jesus constitui ponto de referência tão decisivo e importante, que tudo o que lhe diz respeito, afeta não só a nós, cristãos, mas também aos não-cristãos e descrentes. Daí se explica porque os meios de comunicação social mostram tanto interesse em ter Jesus como alvo? ? esclarece um dos maiores teólogos da atualidade, o arcebispo Bruno Forte. A historicidade de Jesus, fora dos escritos cristãos, é atestada por Flávio Josefo em suas obras Guerra Judaica e Antiguidades Judaicas.Também a ela faz menção a carta de Plínio, o Jovem, referindo-se às reuniões dos cristãos e nos Anais de Tácito, a propósito do incêndio de Roma em 64, quando Nero acusou os cristãos. Mais algumas poucas referências em Svetônio, pelo ano 120, e nas recomendações do Imperador Adriano ao Procônsul Minúcio sobre como tratar os cristãos. Poucas, mas suficientes para comprovar a existência de Jesus, se pensarmos na época e na condição da Palestina, remota região do império romano. Nelas, ele é sempre chamado só de Cristo, nunca de Jesus. Os túmulos agora apresentados pelos dois cineastas, James Cameron (do Titanic) e Simcha Jacobovici, pretensamente como sendo da família de Jesus e que são do 1º século da era cristã, na verdade foram descobertos na região de Talbiot no início dos anos oitenta. Como esses, existem muitíssimos túmulos dessa época, espalhados por toda a Palestina. Os arqueólogos israelenses, que fizeram o achado há mais de vinte anos, negam qualquer prova arqueológica do sepultamento de uma suposta família de Jesus. Séculos de arianismo, de ateísmo, e o iluminismo do século 18 não conseguiram apagar a absoluta historicidade da verdade cristã da ressurreição de Jesus. Muito menos jamais se imaginou que Jesus tivesse se casado com quem quer que fosse e gerado descendência. Quanto aos nomes que supostamente estariam gravados nos túmulos, é bom lembrar que, se são em hebraico ou aramaico, não possuem vogais. Essas foram colocadas pelos massoretas apenas já no século 9 da era cristã. Assim, nomes como Jesus, José e Josué se escreviam com as mesmas letras, isto é, JS. A prática da leitura oral da Bíblia é que os distinguia. Como então se poderia afirmar que uma determinada inscrição fúnebre seria de Jesus e não de José ou de Josué? Afinal, o que se pode ver em tudo isso é o desejo de fazer publicidade em torno de um filme a ser lançado, na esteira do que foi feito com o tristemente célebre O Código Da Vinci. Para nós, que cremos no Senhor ressuscitado, permanece o testemunho da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, onde se venera o glorioso sepulcro vazio de Jesus. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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