Opinião
Educa��o em foco - Editorial
Quando reconheceu que o sistema educacional brasileiro está ?entre os piores do mundo?, o presidente Lula fez uma mea culpa e reacendeu uma chama de esperança. É inevitável reconhecer a situação de indigência da educação pública no Brasil. Mas até aí não existe novidade, nem mérito ? o que merece atenção, e cobrança, é o compromisso do presidente da República em modificar esta execrável realidade. Foi anunciada, em seqüência ao reconhecimento dessa catastrófica realidade, uma ?grande reforma? para a educação pública brasileira. A bem da verdade, considerando como genuíno o interesse do presidente da República por esta ?grande reforma?, é que já foram desperdiçados quatro anos para esta obra ter início. Se estas reformas na educação começarem neste ano, ainda será um bom negócio. Com vontade, em três anos e meio, é possível se iniciar uma transformação. Outra grande questão, além da vontade, é a direção deste esforço reformista. Nos últimos 15 anos, nada de significativo foi implementado no segmento educação pública. Nesse intervalo, contabilizam-se três presidentes da República, vários ministros da Educação, vários planos, várias propostas grandiloqüentes... Mas os resultados teimam em arranhar o zero. Que caminho trilhará o ?plano de aceleração da educação?? Fala-se até em salário mínimo nacional para o magistério, o que é uma idéia positiva (se bem que polêmica), mas para se alterar significativamente o rumo da educação pública brasileira, será necessário um projeto bem mais amplo, capaz de ultrapassar as limitações sindicalistas e/ou assistencialistas. Para se inovar, de verdade, é necessária uma visão estratégica que ainda não deu sinal de vida. Mas vale a pena saudar as declarações do presidente Lula e torcer para que a promessa seja cumprida ? para o bem do Brasil.