Opinião
Turismo: atra��o, recrea��o, gratuidade
| Dom Fernando Iório * Constitui, hoje, o turismo senão preciosa atração, pelo menos uma atividade cada vez mais comum para muitos homens e mulheres. Implica em viajar, mudar de lugar, visitar regiões ou países, atrativamente novos. Entretanto, só isso não basta para haver verdadeiro turismo. Mister se faz seja a viagem recreativa, de lazer, sem motivações de trabalho. Adquire, desse modo, a viagem o caráter de gratuidade, de uma atividade sem as necessárias concatenações de causa e efeito que aprisionam o ser humano. Implica, ainda, a atenção voltada para o mundo, tanto no sentido natural e geográfico de paisagens, senão também no sentido humano de culturas e formas de vida nova. A dinâmica de viajar, de mudar de lugar está inscrita na natureza do homem e da mulher. No século 19, tornaram-se famosas as viagens dos exploradores, procurando atingir as regiões ainda desconhecidas do mundo, visando, assim, a dominar, integralmente, o planeta. Não se podia falar, ainda, de turismo, vez que eram as viagens arriscadas e marcadas por inúmeras provações. Fazia-se necessário esperar o século 20 para chegarmos às viagens por prazer, com todas as comodidades oferecidas pela técnica. Numa palavra: o turismo, propriamente dito, é uma realidade moderna. A invenção dos veículos movidos a vapor, bem assim os motores de explosão converteram a penosa tarefa de viajar numa agradável aventura. Atualmente, mais de 500 milhões de pessoas fazem turismo, anualmente, quer nos fins de semana, quando multidões procuram as áreas verdes, as zonas montanhosas ou as praias. A vida monótona da cidade grande faz com que as pessoas rompam esse campo de concentração, fugindo à procura da natureza aberta ou para as regiões conhecidas de lazer. Em prazos maiores costuma o turismo realizar-se nas férias escolares ou dos profissionais do trabalho. O turismo, como forma de diversão, encerra grandes valores humanos que o Cristianismo deve desenvolver. O turismo aproxima o homem de Deus pelo conhecimento da natureza, das coisas criadas. Estimula o intercâmbio e o diálogo entre povos e culturas. Constitui o turismo uma expressão viva da liberdade humana, dando ensejo a que a criatura humana brinque com o espaço, escolhendo caminhos de lazer e itinerários de descanso. Assim, começa o turismo a se apresentar como grande esperança de aproximação entre os povos, abrindo canais entre as culturas, ampliando o ideal de fraternidade. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios.