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ALAGOAS SE ESCRAVIZA � SANHA DOS MARGINAIS!

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Não há um só dia que os jornais de Alagoas não apontem algum crime em nossa terra, conhecida por tantos anos pela sua vida sossegada, quando podíamos sentar às nossas portas para jogar conversa fora com os vizinhos. Até o governador Arnon de Mello, quando habitava na praça Sinimbu, durante parte de sua gestão, vinha, várias noites, inteirar-se das novidades mais recentes, na reunião em nossa calçada. Ao lado de nossa casa habitavam: o Demócrito Barroca Filho, ocupante de um cargo na administração, o Major Luiz Cavalcanti, pouco tempo depois, também chefe do Estado. Às vezes as festas populares do Natal eram realizadas na Praça Sinimbu, e em quantas ocasiões nossos amigos e nós íamos andar nos brinquedos, relembrando os tempos de adolescentes? Ninguém era molestado, e como nos divertíamos! Crimes havia, raros, passionais ou algumas vezes políticos. E o Estado era tão mais pobre! Mas, havia paz em Alagoas. Daí a conclusão de que não é a indigência que faz o criminoso. É, sim, a ganância, a impunidade, as leis fracas, uma justiça condescendente, uma polícia carente, mal paga que, às vezes, se torna cúmplice, a exemplo da corrupção, cujo modelo vem dos altos escalões do governo. A televisão mostra o que o dinheiro pode oferecer. Enriquecer honestamente não é fácil. O desemprego é uma realidade. Então partem para os assaltos e sequestros que garantem aos marginais aquilo que desejam. Além disso, muitos são coniventes com traficantes de drogas, que lhes proporcionam rendas bem avaliadas, e o uso das ervas os faz mais corajosos. Destroem sem piedade seus semelhantes. As prisões superlotadas, e na impossibilidade de colocar mais criminosos, a justiça solta alguns com pouco tempo de carceragem, quando eles não fogem pela porta da frente, muitas vezes com a própria conivência dos carcereiros. A renda do País é dissipada em privilégios de políticos, até mesmo da justiça, desperdiçada pelo governo, enquanto falta à população saúde, educação, moradia, alimentação e, sobretudo, tranquilidade. Para onde vão nossos impostos? Trabalha-se, economiza-se para ter um pecúlio que garanta uma vida confortável. Então chega um marginal para exigir importâncias que, às vezes, a família nem possui. Ou então se é morto impiedosamente. Se reagir estará perdido. Já não há respeito nem mesmo pelas instituições. Os larápios querem mostrar a ousadia de seu poder atacando magistrados, matando policiais. Alagoas, que deseja ser a terra do turismo com suas praias majestosas; com tantos assaltos a hotéis e excursionistas, como conseguir essa conquista? Temos que ser mais veementes em nossos protestos.

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