Opinião
Fortuna em chamas - Editorial
Num mundo no qual a fome, a miséria, as doenças, a insegurança, ainda são chagas abertas e que alcançam muitas milhões de pessoas, é chocante a informação de que uma guerra consuma cerca de 300 milhões de dólares por dia. Pois este é o custo diário da ocupação do Iraque. Durante esses quatro anos decorridos desde que tropas americanas (e aliadas) invadiram o território iraquiano, foi investido ali, naquele cenário de morte e destruição, mais de 290 bilhões de dólares, segundo cálculos do próprio governo Bush. Uma fortuna utilizada como combustível para as fogueiras nas quais estão sendo sacrificados inimigos políticos, antigos aliados, adversários religiosos e ? principalmente ? um incontável número de inocentes. E se todo esse dinheiro, US$ 290 bilhões, tivesse sido usado ? em qualquer lugar do mundo ? para salvar vidas, impulsionar economias, custear pesquisa, fomentar ciência, disseminar cultura e educação? Quantas respostas positivas estariam sendo colhidas, hoje? Nada de positivo, porém, pode ser contabilizado pelo mundo depois desses quatro anos de guerra cruenta e de investimentos pesados. O saldo é extremamente negativo, especialmente para os sofridos povos do Oriente Médio. Depois da invasão e da fulminante derrota de Saddam Hussein, o Iraque viu-se mergulhado num horror ainda mais sanguinário de que nos tempos do ditador sunita. O terrorismo ampliou-se, espalhando-se por toda a região com redobrada crueldade. E o mundo está mais inseguro, mais desequilibrado, mais vulnerável. Mas, sempre é tempo para erros serem reconhecidos e novos caminhos serem tentados. O mundo espera que, um dia, o bom senso seja restabelecido. Quem sabe, a constatação dessa fortuna transformada em sangue e cinzas possa estimular novas análises e, um dia, posicionar os olhos dos poderosos na direção da paz.