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Opinião

Descaminhos

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RUYTER BARCELOS * Está feita! A reforma da Previdência foi aprovada. Daqui para frente, ainda na Câmara dos Deputados ou no Senado, ela sofrerá algumas modificações, mas sua essência será preservada até a sanção presidencial. É hora de fazer as contas e saber quem ganhou e quem perdeu. Há quem diga que o País deu um passo rumo a uma sociedade mais justa e equilibrada. Na minha opinião, todos perderam. O governo, ao desgastar a imagem daquele que se dedica ao serviço do Estado. O trabalhador, que deverá trabalhar por mais tempo, a fim de manter a pensão. A sociedade, por sentir-se enganada no processo eleitoral, pois votou por mudanças, mas não contra si. De fato, os que têm muito continuam seguros e protegidos pelo sistema que uma aliança inimaginável, por suas propostas ideológicas, ajudou a eleger. Com certeza, a palavra certa no momento é decepção. Tristeza maior é saber que amanhã, quando outro partido político chegar ao poder e julgar que as contas do Tesouro Nacional não fecham, nova reforma será feita, prejudicando o já sacrificado povo brasileiro. A minha convicção sinaliza que a presente reforma será objeto de muita propaganda eleitoral nas próximas eleições e apresentada como corajosa, necessária e uma vitória moral do PT. Vale dizer, tudo não passa de manobra eleitoreira, a fim de mantê-lo no poder. Outra consideração importante trata da constatação de que o núcleo do PT no governo tem caminhado no fio da navalha. Tal núcleo se caracteriza por militantes da ala moderada do partido, alguns até radicais, mas pressionados pela autoridade monocrática de determinados políticos têm seus posicionamentos políticos abrandados. A pressão é exercida, de um lado, por militantes dos mais tradicionais da ala radical do PT e que se manifestam contrários aos caminhos do atual governo. Para eles, o que se verifica é a negação das propostas históricas do partido, a perda de sua identidade, quase uma traição, um descaminho. Do outro lado, estão aqueles que nunca deixaram o poder e exigem o cumprimento dos acordos feitos por ocasião do processo eleitoral. O governo optou por caminhar no fio da navalha, ora favorável a uns, ora a outros, sem se dar conta de que governar é optar, escolher, decidir o melhor em proveito do bem comum, sem necessariamente agradar. Tal cenário abre espaço para uma liderança projetar-se neste aparente vácuo de poder. Assim, ressurge o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aglutinando forças dentro do PSDB, criticando os descaminhos ou tropeços políticos do atual núcleo de poder e, dentro de pouco tempo, valendo-se de seu carisma e persuasão, poderá fazer ver à população a opção errada do voto nas últimas eleições, bem como as conquistas sociais do seu governo, reconhecidas pela Organização das Nações Unidas e mal avaliadas pelos eleitores. Por último, os recentes episódios na Esplanada dos Ministérios, centro do poder político do Brasil, deixaram como lições à sociedade que a nossa democracia é frágil e inspira cuidados; a educação política e a elevação da consciência crítica dos cidadãos serão fundamentais na transformação do Estado. De fato, o brasileiro é pendular em seus posicionamentos, deseja resposta imediata as suas necessidades e não perdoa a falta de transparência. Como tem sido, ultimamente, a Nação brasileira está com a palavra. As urnas que o digam. (*) É OFICIAL DA RESERVA DO EXÉRCITO BRASILEIRO E- MAIL: [email protected]

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