Opinião
Patrim�nio relegado - Editorial
Único patrimônio alagoano com batismo universal, o Papódromo está submetido a uma situação vexatória e tal realidade expõe uma variada gama de problemas. O primeiro problema exposto por esse estado de coisas é o descaso das autoridades alagoanas para com o nosso patrimônio histórico, cultural e religioso. Mesmo quem não professa a fé católica reconhece a extraordinária importância daquela área, marco da visita de um papa à capital do Estado de Alagoas. Honraria inusitada, compreensível apenas quando se atenta para a conjuntura daqueles tempos, onde o prestígio do então presidente da República, Fernando Collor de Mello, fez merecer a atenção o cerimonial do santo padre para distinguir Alagoas dentre a vasta lista de solicitantes à glória terrena de local a ser visitado por João Paulo II. Sem dúvida, é o Papódromo um dos sítios históricos mais importantes de Alagoas. Mas, quem reconhece valor? Autoridades e bandidos parecem ter a mesma visão: não vale grande coisa. Uns acham que para garantir a segurança, basta um único cidadão, vigilante modesto, quiçá desarmado, morador solitário na própria área. Outros só identificam importância nas velhas chapas de alumínio e, abusados, em protesto contra tal penúria, surraram o desprotegido guardião e lhe incendiaram a moradia. Nesse andar da carruagem, o que restará, daqui a algum tempo, do marco da visita de um papa a Alagoas? Note-se que o pontífice que abençoou o solo alagoano era João Paulo II, um dos mais expressivos ocupantes do trono de São Pedro em todos os tempos, personagem de primeira grandeza na rica história do século XX. Ainda é tempo de se recuperar e valorizar o Papódromo. Resta erguer as mãos para o céu e rogar por alguma iluminação para os católicos no poder.