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8 de Mar�o: o que h� de novo no Front

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| Izabel Brandão * O dia internacional da mulher é comemorado há quase um século. As conquistas das mulheres têm sido significativas: direito ao voto, direitos civis, liberação da sexualidade, etc. O mundo inteiro acompanhou a trajetória política de mulheres como Indira Gandhi, na Índia, Margareth Thatcher, na Inglaterra, Benazir Bhuto, no Paquistão. No nosso Brasil, Bertha Lutz, Lily Lages, Heloísa Helena. Mais recentemente temos visto a ascensão de Hilary Clinton e Ségoláne Royal, cotadas para presidentes dos Estados Unidos e da França, respectivamente. Na Alemanha, a primeira mulher líder de governo é a poderosa chanceler Angela Merkel E, Pertinho de nós, Michele Bachelet é a presidente do Chile. A lista poderia ser bastante ampliada se incluíssemos as bem sucedidas mulheres do mundo intelectual, artístico, da cultura de modo geral. Entretanto, penso que, conquanto tais conquistas foram e são relevantes para a construção da história das sociedades, isso não basta. Precisamos ainda refletir sobre a cruel realidade que continua a perceber mais da metade da população mundial como cidadãos de segunda classe. Não acredito na ideologia essencialista que defende a mulher apenas por ela ser mulher. Para mim, importa mais a competência e o caráter do sujeito, independente do gênero biológico. Mas, no caso das mulheres, elas (nós) têm (temos) que provar com muito mais força a qualidade de sua competência, quando as comparamos aos homens. Eles já nascem com o suporte social (e da cultura) que lhes concede autoridade essencial. Uma ilustração ajuda: basta que liguemos a TV na hora do jornal e vejamos a quem se busca quando a notícia pede opiniões balizadas sobre assuntos de saúde ou de política. Aqui e acolá, uma mulher é ouvida, como Miriam Leitão, economista global, mas na sua imensa maioria, os homens são os detentores da fala de autoridade. Não só a fala, mas os maiores salários, os cargos políticos mais importantes, os postos chaves em muitos contextos. Isso naturalmente inclui a esfera doméstica, onde os homens ainda reinam absolutos, exercendo a lei e a força, muitas vezes literalmente. Ainda são muitos destes os que continuam a tratar as mulheres como objetos, como seres que servem para ?enfeitar?, servir e obedecer. E se a subserviência não for a contento, podem sofrer represálias: socos, porradas, pontapés, violência moral, sexual, morte... Com a Lei Maria da Penha, o agressor, quando denunciado, encontra uma punição concreta. (*) É professora da Ufal.

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