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O essencial e o sup�rfluo

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| Marcos Davi Melo * O respeitado juiz Marcelo Tadeu gritou publicamente que está sendo ameaçado de morte de dentro da prisão. Helder Loureiro, juiz de igual respeitabilidade, também ameaçado, denunciou que a sua segurança pessoal foi reduzida por falta de recursos. A situação dramática da violência e do crime organizado entre nós continua atemorizando até as autoridades. O governo diante do quadro caótico faz o que pode para reagir. Para enfrentar o crime organizado e a violência, chegaram recursos logísticos nacionais e se espera, com boa vontade e otimismo, que a situação possa melhorar e assim perdurar por algum tempo. Mas, depois, a médio e em longo prazos, vamos precisar enfrentar a criminalidade com os nossos próprios recursos. O socorro atual não vai durar para sempre, mesmo porque esta questão, embora exacerbada em Alagoas, acomete todo o País. Vamos obrigatoriamente precisar recuperar as delegacias que estão uma vergonha, estruturar os presídios com um mínimo de segurança e além de aumentar o contingente, preparar melhor as polícias Militar e Civil. Enfim, gastos inevitáveis e consideráveis para os exauridos cofres públicos de nossa pobre Alagoas. Os professores envolvidos em uma desgastante greve gritam que entre outras razões, falta-lhes dinheiro para a isonomia, porque o vil metal serve entre outras coisas para pagar os funcionários do Instituto Zumbi dos Palmares. Coincidentemente, no fim de semana passado, a Folha de São Paulo publicou como manchete de primeira página que as televisões estatais custam a fabulosa soma de 544 milhões ao contribuinte. Infelizmente, Alagoas mais uma vez aparece como mau exemplo e destaque nacional negativo; para imenso desgosto de todos nós, a matéria cita: na televisão educativa daqui existem 390 funcionários lotados e somente 4% da programação lá são produzidas. A matéria arrola como principal motivação das televisões estatais o auto-elogio dos governos e o seu uso como cabide de empregos. Diante de tantas carências da sociedade e do peso da máquina pública que não para de crescer, atravancando o crescimento econômico nacional e principalmente o de Alagoas, não existe opção, ou se usam os recursos públicos somente com o indispensável, o fundamental, ou continuamos no atoleiro. Um Estado como o nosso, onde as necessidades básicas e elementares não são atendidas, uma televisão educativa nestes moldes, é apenas um exemplo entre tantos, do gasto despropositado, do sacrifício do fundamental, do essencial em função do supérfluo. (*) É médico e professor da Uncisal.

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