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Chance de recuperar - Editorial

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Caso fossem mais freqüentes as coincidências entre os interesses ambientais e empresariais, o mundo talvez estivesse completamente livre do flagelo do desequilíbrio ecológico. Como assim não o é, pelo menos espontaneamente, vale a pena incentivar a busca desta convergência como meta cidadã. Bom exemplo, neste caminho convergente, é a represa em construção pelo Grupo Tércio Wandeley, tendo como objeto das atenções o Rio Coruripe. Em todo o mundo, dois tipos de emissões têm causado a ruína dos rios e seus sistemas ecológicos: a sanitária e a industrial. Por vezes essas duas agressões se manifestam contra uma única bacia, numa trágica união dos dejetos domésticos com os refugos fabris. Padece desta dupla violência o Rio Coruripe. Ao longo de seu curso recebe os esgotos de todas as comunidades ribeirinhas, assim como os poluentes vindos de todas as atividades econômicas praticadas em áreas próximas. Durante muitos anos, as usinas foram vistas como as grandes (senão únicas) vilãs da degradação ambiental em Alagoas. Os motivos são irrefutáveis, embora os preconceitos igualmente floresçam neste campo. Dentre as culpas reais da agroindústria sucroalcooleira estão o desmatamento radical (sem o cuidado de preservação de nichos de matas naturais) e o despejo de tiborna, ou vinhaça, nos cursos d?água (quando não eram valorizados os subprodutos das usinas). Com o avanço dos conceitos e das práticas empresariais e industriais, todo um conjunto de novas relações entre indústria e meio-ambiente permite a implantação de projetos como este, quando uma barragem, projetada corretamente, possibilitará incremento na produtividade industrial e, ao mesmo tempo, revitalização de ecossistemas degradados. Aí está um excelente exemplo que merece ser imitado, multiplicado. Chances não faltarão.

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