Opinião
O IMPOSTO DE RENDA VEM A�
Durante todo o ano os leõezinhos do imposto de renda sugam, com uma avidez que deixa cicatrizes, as tetas dos nossos salários, das pensões dos aposentados, dos nossos investimentos. No funesto mês de abril, é a vez do grande leão eriçar e balançar a juba com toda autoridade e imponência para encher o estomago, insaciável, no grande banquete que comemora os lucros dos brasileiros. Não importa que tenham sido obtidos com o esforço de tanto trabalho, após tanta luta, tanta massa cinzenta gasta à procura de uma compensação para a fatigante faina. Indiferente ao bem-estar do povo, ele se apropria, numa cega ambição, de todas as nossas esperanças. Pagamos cada dia maiores porcentagens sobre nossos ganhos e pouco recebemos em contrapartida. Vemos a renda do País sendo constantemente desbaratada, sem responsabilidade, digerida pela ambição de uns tantos, enquanto o povo fica cada vez mais pobre, a classe média vai se exaurindo, sem esperanças de um porvir alvissareiro. E desde quando soldo pago em troca de trabalho foi renda? Às vezes tão magro que nem garante uma subsistência decente! Que o diga a maioria dos profissionais liberais, dos professores mal remunerados, que tanto gastam para a formação de um currículo competitivo. Em outros países, onde a seriedade dos governos não é contestada, pagam-se impostos racionais, mas os resultados destes são sentidos em todos os semblantes da administração, sobretudo, no respeito aos direitos dos cidadãos. Os contraventores são punidos com rigor, mas os corruptos também o são. O povo tem uma voz que é ouvida, tem uma força ativa, cujas consequências são avaliadas na concepção de justiça que merece o contribuinte para o desenvolvimento da nação. O imposto deve ser uma troca justa, igualitária, a serviço do bem-estar da população. Não esse embuste, cuja finalidade é um verdadeiro opróbrio para o julgamento do País. Temos mesmo que ?chiar?, como prega o meu digno e inteligente companheiro de jornalismo, Ronald Mendonça, quando sabemos que o destino de nossos tributos, ?é continuar a financiar os mensalões, as sanguessugas, as contas superfaturadas, a propaganda oficial, os carrões, as casas de veraneio, as propriedades rurais e toda sorte de caprichos, mordomias e sinecuras instaladas nos três poderes?. Brasileiro tem a conformação dos mártires! Sofre resignado ante as injustiças do poder e, talvez, por ignorância ou por indolência, na hora de votar, esqueça tudo que sofreu, e dê aos mesmos trapaceiros, o direito de voltar à legislação. Nossa esperança é que a educação o torne, um dia, mais consequente e aprenda a usar a arma que tem na mão. Não a da violência, mas a do voto.