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Canoniza��o de Frei Galv�o

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| Dom Fernando Iório * Não possui o Brasil ?Santológio? algum. (Não sei se o neologismo será aprovado). Antes, pelo contrário, não figuram os brasileiros na lista de beatificados e canonizados, de tal maneira que algum juízo precipitado pode julgar-nos menos aptos para o galgar as encostas ásperas da santidade. Em maio, por ocasião de sua vinda ao Brasil, estará sua santidade, Bento XVI, canonizando o brasileiro ? Frei Galvão, nascido em Guaratinguetá (São Paulo), no tempo da Colônia (1739 ? 1822), de família nobre e de sangue dos bandeirantes. Reconheceu o Vaticano o milagre que permite canonizá-lo. Fundou na capital paulista o Recolhimento de Nossa Senhora da Luz. Não somente formou e conduziu, espiritualmente, as religiosas desse convento, mas também o edificou materialmente, ao longo de 48 anos de esforços contínuos. Tornou-se o arquiteto, o engenheiro, o mestre-de-obras e, não poucas vezes, o operário de sua edificação que somente se tornou possível pelas doações que, incansavelmente, solicitava do povo fiel. Procurado pelo povo e estimado por todos, era conhecido como ?o homem da paz e da caridade?. Exalou o derradeiro suspiro em 1822. Seu processo de beatificação teve início em 1938 e foi retomado por duas vezes, após interrompido (1949 e 1969). Durante o governo de dom Paulo Evaristo Arns, foram os estudos retomados em 1980. O Processo Informativo foi reaberto em 1986 e concluído em 1991. O Decreto das Virtudes Heróicas foi publicado pela Santa Sé em 17 de dezembro de 1996, quando Frei Galvão se tornou Venerável. O Decreto sobre o Milagre foi conhecido aos 6 de abril de 1998. A solenidade de Beatificação foi celebrada aos 25 de outubro de 1998, em Roma, pelas mãos do Papa João Paulo II. A sepultura de Frei Galvão, na Capela do Mosteiro, é visitada por multidões incalculáveis que ocorrem à procura de graças e milagres, senão também das famosas e prodigiosas ?pílulas de Frei Galvão?. Os santos, com a certeza do juízo da Igreja, pertencem ao mundo celeste de Deus. São importantes como modelos e intercessores oficiais junto a Deus. Entretanto, não nos esqueçamos dos santos que não galgaram os altares, mas viveram e vivem próximos de nós com a beleza e o exemplo de suas vidas. Quantas pessoas simples que, no cotidiano da existência, nos edificam com a entrega da vida em favor dos necessitados. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios.

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