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Opinião

Os contrastes brasileiros

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| José Medeiros * Ouvi, recentemente, a exposição de um mestre da ciência brasileira, citando fatos que comprovam estar o Brasil entre os 20 maiores produtores de ciência e tecnologia. O único país latino-americano incluído nessa relação. É difícil imaginar, há 50 anos, que milhões de automóveis circulariam nas ruas, celulares seriam produtos de consumo usados e desejados, computadores fariam desaparecer milhões de empregos por realizarem trabalhos de complexidades variadas, que dispensam determinadas mãos-de-obra. O ilustre palestrante disse, também, que nas coisas mais simples de nosso dia-a-dia, estão envolvidos muitos anos de pesquisas, que saem dos laboratórios e se incorporam à vida das pessoas. Apesar desses avanços científicos e tecnológicos, o País não consegue vencer a fome, a miséria e o desemprego, que agridem parcela da população. Nossas indústrias cresceram, as exportações extrapolaram expectativas, mas elevado percentual de brasileiros continua analfabeto e bem distante do bem-estar a que tem direito. Os números da educação patinham entre extremos. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado a 2,7 milhões de jovens de todo o Brasil, mostra que um Estado como São Paulo apresenta resultados insatisfatórios. Enquanto isso, uma escola do Piauí assombra pedagogos e dirigentes de entidades educacionais, pelos altos níveis de aprendizagem, apesar deste Estado ter um alto nível de analfabetismo. Em matéria de saúde continuamos perdendo o combate contra a tuberculose, hanseníase, cólera, dengue e febre amarela. O atendimento do SUS é precário e maltrata os usuários. O bem organizado ?Programa de Saúde da Família?, ainda não cuida bem de seus médicos e demais profissionais, que arrebentam suas colunas vertebrais, em estradas esburacadas, para praticarem atendimentos em locais, onde, anteriormente, jamais chegara um profissional da medicina. E o que dizer da violência? Balas atiradas a esmo que matam. Assaltos, seqüestros e incêndios em ônibus cheios de passageiros desafiam as autoridades. O mapa da violência mostra onde o risco de morrer é maior, onde há os piores índices de homicídios. Para nossa tristeza, Maceió está colocada entre as capitais mais violentas do Nordeste, somente superada por Recife. Não podemos fingir que essas dificuldades não existem. Se, em ciência e tecnologia, níveis altos nos orgulham, por que não pensar numa união maior para vencer tamanhos desafios? (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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