app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5647
Opinião

2024 – um ano de dificuldades ou de esperança?

.

Por Paulino Fernandes de Lima – defensor público e professor | Edição do dia 28/12/2023 - Matéria atualizada em 28/12/2023 às 04h00

Desde que vim ao mundo, em 1974, esta é a quadragésima nona vez em que, natural e humanamente, renovo as esperanças de um novo ciclo.

Entretanto, agora não parece fácil se fazer um prognóstico do porvir, não só em razão das quase 50 primaveras já vivenciadas (com as realizações e frustrações que as acompanharam), como dos próprios acontecimentos mundiais vividos coletivamente, os quais foram bem atípicos.

Sempre digo por aí que os melhores anos em que vivi, foram os da década de 80. E tenho percebido que muitos de minha geração comungam com essa assertiva, embora haja, naturalmente, uma diferença para mais ou para menos.

Há os que estendem a boa avaliação dessa década, aos nos que a antecederam ou a sucederam. Mais coincidentemente, o saudosismo acaba se situando entre os anos 70 e 90.

Depois disso, as mudanças trazidas com a globalização, embora tenha alguns contributos positivos (como o lado bom da tecnologia), em grande parte, trouxeram mais dificuldades, como por exemplo, em tema de relações humanas.

Se no início do Século XXI, a imposição de um estilo de vida mais individualista aumentou, nas duas primeiras décadas dele, experimentamos situações que não estavam no gibi, como a Pandemia da Covid, que ceifou milhares de vidas, em todo o Mundo, sem resultados positivos.

É inegável que com a eclosão da Pandemia, no início do ano de 2020, não só o sistema sanitário foi duramente atingido, mas o social, com a proliferação desenfreada da fome, incontestada pela banalização da mendicância nas ruas, estampando um quadro vultoso que seria inimaginável há algumas décadas atrás.

Institucionalizou-se a miséria social, sob as barbas do Estado, o qual ainda se revela inoperante para pôr termo a esse caótico quadro falimentar da humanidade. O que poderia ser visto, só excepcionalmente, é hoje a “cara” das ruas, revelando um modelo assistencialista falido.

Não se concebe que já tenhamos atravessado a maior turbulência, na área de saúde, nos últimos 100 anos e ainda não houve recobro mínimo de dignidade humana, já que o cenário com pessoas sem teto e sem comida nas ruas, só aumentou.

Qualquer ser humano que ainda conserve sua sensibilidade social e humana (de berço) deve ter sonhado que quando se atravessasse o deserto da Pandemia, haveria um renovo, em termos de fraternidade e de melhoria sócio-econômica.

Teria sido uma mera quimera de Policarpo Quaresma, o que parece ter apetecido meus ideais de melhoria naquele período?

Afinal, não só se “sente na pele” que a miséria se alastrou, com mais vidas ceifadas pela nefasta fome que ainda é a principal vilã social, mas a violência, em todos os setores da humanidade, avolumou-se sem contenção.

Resta-nos (re)pescar o máximo de sensibilidade, de fraternidade e de humanidade, enfim, que ainda lateja em nossos corações e espíritos, para que tracemos um porvir, com os sonhos que adormeceram.

E assim, seja no convívio social ou individual, busquemos melhorar como criaturas, cônscios de que cada um deve dar um passo a frente, para poder cobrar do seu semelhante.

Mais matérias
desta edição