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Opinião

Apocalipse?

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O planeta Terra vivencia momentos de dolorosos desajustes, não só no que se refere à parte física como à espiritual. É imperioso que procedamos de maneira mais cristã, sobretudo acreditando na frase dita por Cristo: ?Amai-vos uns aos outros?, mas sabemos o quanto é difícil para muitos assim proceder, e os exemplos são gritantes, quando dentro das próprias famílias as pessoas estão se trucidando umas as outras. Fere terrivelmente o coração de quem assiste, como nós, impotentes que somos, a situação dos que vivem em situações adversas, sem condição de possuir um pedaço de terra que seja para aliviar a fome de seus filhos. Terras que existem espalhadas por esse imenso Brasil, mas concentradas nas mãos de pouquíssimos, que se recusam a abrir mão daquela porção que faz falta a tantos miseráveis. Nosso País, infelizmente, não conseguiu fazer ainda a tão propagada reforma agrária, coisa que tantos países capitalistas já fizeram há muito tempo. E mais, qualquer intenção do governo em mexer nas questões agrárias é vista como subversão e vozes retrógradas logo se levantam para atacar os que pregam a necessidade de combater a demasiada concentração de terra que assola nossos campos. E famílias inteiras vivem como nômades, expulsas daqui para ali, como se gado fossem, tendo seus poucos pertences destruídos pelos prepostos dos grandes proprietários, como recentemente se viu em uma das nossas usinas. E mesmo quando o governo estadual tenta contribuir de forma mais efetiva com esses movimentos do campo, ajudando na comercialização dos seus produtos, logo se levantam as vozes radicais dos que não querem que nada mude e tudo continue ?como dantes no quartel de Abrantes?, pois acham que o governo só deve atender aos seus próprios interesses. Estamos certos que esse tipo de gente jamais ultrapassará o egoísmo para poder ver no fim da miséria um assunto do interesse de todos e mais ainda aos que acumulam riquezas nos bancos e nas terras pouco produtivas, riqueza parada, da qual não advêm benefícios. Esses cavam a própria sepultura, e a dos seus filhos e netos, ao criar as condições de injustiça tremenda, de onde surgem tanto os revolucionários como os facínoras ? esses que hoje infestam nossas cidades, ameaçando o patrimônio e a vida de todos. E pagam os que não têm culpa no cartório, pois enquanto os ricos se cercam de proteção e mandam suas fortunas para os paraísos fiscais, a maioria vive na insegurança e vê, por aqui mesmo, se armar o próximo apocalipse. (*) É escritora, atriz e cantora.

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