Opinião
A Mata Atl�ntica em nossas ruas e jardins
| Luciano B. Carvalho * O homem, desde que passou a viver em cidades, traz consigo a necessidade de um relacionamento com o ambiente natural, e essa necessidade torna-se cada vez mais evidente em nossos tempos, motivado principalmente pelo crescimento populacional e pela degradação do ambiente em que vivemos, principalmente no meio urbano. Essa necessidade de conviver com a natureza representa algo muito positivo e cada vez mais pessoas vêm demonstrando interesse pelos elementos naturais, como é o caso do cultivo de plantas tanto em jardins como na arborização urbana. Um dos maiores prejuízos que a Mata Atlântica sofreu, além de sua quase total destruição (hoje só restam 6% em nosso Estado ), foi o de ter suas espécies praticamente esquecidas em jardins e arborização de praças e ruas. Esta não é uma realidade só de Alagoas, pois em todo o Brasil a preferência foi pelas espécies exóticas (plantas de outros países) e não as nativas (plantas de outras regiões do Brasil) na arborização de jardins, praças, canteiros, avenidas e ruas. Não se sabe exatamente o tamanho do prejuízo ambiental que essa ?importação? nos trouxe, o que sabemos é que fomos privados da beleza de nossa flora, uma das mais belas do mundo. O que vemos em nossos jardins e logradouros públicos, com honrosas exceções, é um festival de plantas importadas tais como: Amendoeira, Flamboyant, Piriquití, Brasileirinho, Ficos, Algaroba, Pata-de-vaca, Acácias, Espatódia, Palmeiras, Mangueira, Eucalipto, Chuva-de-ouro, Neem, entre tantas outras. Sem dúvida nenhuma são belas plantas, mas podiam dividir esses espaços com as espécies nativas de nossa flora, que mesmo sendo de outros ecossistemas (que não o da Floresta Atlântica) são as mais belas do planeta terra. Podemos dar vários exemplos dessa beleza sem igual, basta lembrar dos Ypês (Pau D?Arco), Aroeira, Oiti, Munguba, Pindaíba, Pau-Brasil, Cajueiro, Palmeiras nativas, Imbaúba, Jacarandá, Cajá, Sambacuim, Gameleira, Murici, Sibipiruna, Canafístula (esta última nativa do agreste) entre tantas outras que poderiam ser usadas em nossos jardins, ruas e logradouros públicos. Além de embelezar nossas cidades, melhorar o clima e reduzir o aumento do aquecimento global, contribuiriam com a preservação do mais belo e diversificado conjunto de ecossistemas do mundo, que é a nossa Mata Atlântica. (*) É agrônomo, consultor em reflorestamento e especialista em Educação Ambiental.