Opinião
O sacramento do amor
| Dom Edvaldo G. Amaral * ?A 1ª encíclica de Bento XVI ?Deus é Amor?, segue-se agora a Exortação Apostólica ?O Sacramento do Amor?. É o documento do magistério pontifício que promulga com autoridade apostólica as conclusões do 11º Sínodo dos Bispos, que encerrou o ano eucarístico, promulgado por João Paulo II e encerrado, já no atual pontificado. O tema é ?Eucaristia ? fonte e ápice ? da vida e da missão da Igreja?. Consta de três partes: Eucaristia, mistério acreditado (a fé eucarística da Igreja) ? mistério celebrado (a celebração da Eucaristia) ? mistério vivido (as conseqüências para a vida cristã do mistério eucarístico). ?Mistério da fé!? ? exclama o sacerdote, após proferir as palavras da consagração na Missa. Fé e sacramentos são dois aspectos complementares da vida eclesial ? ensina o Papa. ?A fé exprime-se no rito e este revigora e fortifica a fé? ? conclui o Sínodo dos Bispos. E Bento XVI acrescenta: ?Graças à Eucaristia, a Igreja renasce sempre de novo. A história da Igreja testemunha que toda reforma da Igreja está ligada à redescoberta da fé na presença eucarística do Senhor no meio de seu povo?. E aí o documento se estende em tratar das relações entre a SS. Trindade e a Eucaristia, ?o pão de Deus que desce do céu? como o sacerdote o apresenta antes da comunhão: ?Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo?. Lembra o Santo Padre que na instituição da Eucaristia na Última Ceia, Cristo imolado por nós realiza, no âmbito da antiga ceia sacrifical hebraica, o cumprimento da profecia e a figura passa para a verdade (figura transit in veritatem) e põe termo às figuras (dat figuris terminum). A Igreja recolhe a ordem de Jesus: ?Fazei isto em memória de mim?. Há uma ligação causal entre Cristo, a Eucaristia e a Igreja, porque esta vive da Eucaristia. Depois, o ensinamento pontifício detém-se em considerar a relação com os demais sacramentos. Eucaristia, ?penhor da glória futura?, a Exortação considera o aspecto escatológico do mistério eucarístico e trata da oração pelos finados e conclui esta parte com uma reflexão sobre Maria, a Mulher eucarística, como a chamou João Paulo II. Partindo do princípio teológico de que a norma da oração (lex orandi) é a norma da fé (lex credendi), na 2ª parte são abordados os temas de como deve ser a celebração eucarística. Sempre surpreendente, Bento XVI exalta o valor teológico e litúrgico da beleza, quando enfatiza que ela não é mero fator decorativo da ação litúrgica, mas seu componente constitutivo. E ele quer ações litúrgicas belas, quando insiste na ?arte de celebrar? e define o bispo como promotor e guardião de toda a vida litúrgica e o liturgista por excelência de sua Igreja Particular. (*) É arcebispo emérito de Maceió.