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Blade Runner

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| Jorge Briseno * O título acima é o de um filme de ficção científica onde o ator Harrison Ford exerce o papel de um caçador de andróides, espécie de robôs com feições humanas, em uma futurística Los Angeles do ano de 2019, desumanizada por abrigar uma enorme população e com uma atmosfera permanentemente escurecida e comprometida por gases tóxicos e chuvas ácidas devido à poluição de suas indústrias. Nesse mundo supertecnológico, a natureza está em decadência e as cidades completamente contaminadas. O filme me veio à mente no ano passado, quando, pela primeira vez na história da humanidade, a maior parte da população do planeta passou a viver em cidades. A urbanização acelerada e caótica prejudica a qualidade de vida de bilhões de pessoas às voltas com problemas como os efeitos da poluição do ar, da água, produção exagerada de lixo, trânsito engarrafado, enchentes, violência e favelas. Segundo a ONU, apenas no Brasil teremos 55 milhões de pessoas vivendo em favelas até 2020, o que seria equivalente a 25% da população do País. Já existem 20 megalópoles no mundo. Para agravar ainda mais o problema, as megalópoles estão surgindo em regiões pobres e carentes como, por exemplo, na Índia, com Bombaim, e na Nigéria, com Lagos. Nelas, a população cresce, porém, curiosamente, não tanto quanto nas cidades com um milhão de habitantes. O aumento da população nos próximos anos será mais intenso nessas cidades de tamanho médio que estão surgindo praticamente do nada. Os chineses estão criando cidades novas com uma rapidez estonteante e, indiscutivelmente, passando pela maior urbanização da história da humanidade. Nenhum país se urbanizou tão rapidamente. Para se ter uma idéia desse fenômeno, apenas em Xangai, no ano passado, o espaço ocupado com escritórios construídos equivale ao de toda a área de Nova York. O que ocorrerá na China e em outros países com vastos contingentes populacionais de extrema pobreza é imprevisível. Lá já existem 200 metrópoles com mais de um milhão de habitantes e, incrível, ainda é uma região onde, de cada três pessoas, duas ainda moram na zona rural ansiosas para se transferirem para áreas urbanas. Como enfrentar o desafio de transformar as cidades em lugares com mais qualidade de vida? Como planejar o desenvolvimento desses locais? Só o futuro pode afirmar se o homem, com sua capacidade criativa, irá criar cidades sustentáveis ou se enveredaremos pelos caminhos que nos levam ao mundo de Blade Runner. (*) É engenheiro e diretor de operação da Casal.

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