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Os mortos-vivos e o boi

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| Marcos Davi Melo * Superada a greve dos professores, ainda existem em Alagoas muitos outros gargalos a serem superados, e é preciso enfrentá-los. Entre tantos, o compromisso do Executivo de publicar a sua folha de funcionários, onde devem constar mais de 60 mil pessoas. Outro, a crítica situação da pecuária: já fomos o maior exportador de matrizes bovinas do Nordeste, hoje, somos apenas o sexto, com o agravante de estarmos ilhados pela barreira sanitária que impede o boi de sair do Estado. Um Estado como o nosso que tem tantos miseráveis vivos ? ou melhor, sobrevivendo em condições abaixo da linha de pobreza, o que equivale a uma quase morte penosa, dolorosa e prolongada, mesmo porque não comem, não vestem, não moram ? não pode admitir que existam mortos-vivos mamando dos minguados cofres públicos, como foi denunciado recentemente. Daí, a publicação da folha com a relação dos servidores públicos vivos, pensionistas e também dos mortos-vivos é fundamental. Mortos-vivos que ganham salários e os utilizam com regalias que a maioria dos vivos daqui nunca provou nem provará jamais, é assunto para Garcia Marques. Segundo os primeiros levantamentos feitos pelo atual secretário de Administração, Dr. Adriano Soares, que os chama conciliadoramente de fantasmas, eles existem sim, precisam ser localizados e exorcizados. O que não é fácil, fantasmas são etéreos, podem nunca aparecer como certos valores públicos extraviados. O exemplo que o Executivo promete dar, publicando a sua folha dos vivos e dos mal assombrados mortos-vivos, deveria ser inspirador e motivador. Deveria ser seguido pelos demais poderes. No mínimo para se fazer o tão esperado cruzamento. Se um sujeito vivo ? e muito vivo ?, fatura em duas ou três sinecuras públicas e em nenhuma trabalha, isto é um imenso descalabro. Quão absurdo seria, se este ?esperto? elemento é um morto? Seria uma assombração digna das piores páginas da literatura fantástica. Mas, quem pode duvidar que existam fantasmas em plena atividade por estas bandas? Segundo o esforçado pecuarista Iedo Mendonça, que com tenacidade e responsabilidade vacina o seu rebanho, não existe na sua boiada nenhum boi fantasma. Mas o ruminante está deprimido no pasto, sente-se isolado e discriminado entre os seus companheiros nordestinos; durante as enluaradas noites da fazenda no sertão, Iedo escuta longos e lancinantes mugidos de tristeza. Ao contrário dos mortos-vivos, que segundo as informações continuam muito alegres, cantando, dançando e farriando pelas madrugadas das Alagoas. (*) É médico e professor da Uncisal.

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