Opinião
Dan�a na universidade: arte e episteme
| Carolina Leopardi Bastos * As aulas dos cursos de graduação da Ufal recomeçam, dando início ao primeiro período de 2007. Para os 35 alunos selecionados para o curso superior de Licenciatura em Dança este novo começar comporta uma expectativa singular. Isto não se deve apenas a uma futura qualificação acadêmica na primeira das artes, nem mesmo a já bem feliz oportunidade de conhecer técnicas pouco acessíveis nas academias locais, como as de dança moderna, por exemplo. A expectativa singular se refere a um contexto mais amplo, de que fazemos parte, que é o desenvolvimento da pesquisa em dança. Embora a primeira escola de dança do País tenha completado seu 50º aniversário, a dança é muito recentemente reconhecida como uma área do conhecimento. Na verdade, a dança está no processo de construção e de consolidação de sua especificidade epistemológica. Sabemos que uma boa parte do conhecimento produzido em dança neste País está alocado em diversas áreas: educação física, antropologia, sociologia, psicologia, filosofia, psicanálise, dentre outras, as quais gozam de metodologias relativamente consolidadas e tradição em pesquisa. O que ainda não se sabe é que existe hoje um movimento de avaliação e formulação dos métodos apropriados aos estudos de dança, presente em programas de graduação e pós-graduação em vários centros de pesquisa no País. Um exemplo disto é o primeiro mestrado em dança, na Ufba, que convive ao lado do programa já consagrado de teatro. Ao contrário do que se poderia objetar, esta tendência não consiste em alcançar uma independência meramente solitária, mas sim um diálogo vivo e produtivo com as diversas áreas do conhecimento que permitem interfaces com a dança. A idéia central que anima esta tendência é que as produções de dança (artísticas ou científicas) não apenas permitem a articulação do pensamento, mas são pensamento articulado específico sobre o mundo, a condição humana, o espaço, a cultura, o poder. A busca por esta especificidade é também a busca por condições satisfatórias aos processos criativos, que o espaço político possibilita. Para os 35 alunos que começam seus estudos superiores na área da Dança, meus sinceros parabéns. Temos muito trabalho pela frente. (*) É filósofa, dançarina, mestre em Filosofia Antiga pela Unicamp e professora de Filosofia e Metodologia da Ufal ([email protected]).