Opinião
Ressignificando a acessibilidade para surdos em Alagoas
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Em análise na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 664/23 determina que, em todo e qualquer evento artístico, cultural e social, público ou privado, seja assegurada a presença de intérprete de Língua Brasileira de Sinais nas exibições. Sendo um movimento recente em Alagoas, a interpretação em Libras na esfera cultural vem crescendo consideravelmente, como em shows, festivais e a que ocorreu recentemente no Réveillon Celebration, facilitando a interação de milhares de alagoanos e turistas do Brasil e de fora do país e estreitando a conexão entre o artista no palco e a plateia surda.
A equipe de tradutores/intérpretes do Instituto Bilíngue de Qualificação e Referência em Surdez (IRES), mantido pela Associação dos Amigos e Pais de Pessoas Especiais (AAPPE), ambas pioneiras na introdução da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em Alagoas, foi um dos destaques do palco principal do Réveillon Celebration e ajudou a transformar os shows em uma experiência acessível e inclusiva para a comunidade surda.
Historicamente excluídos e às margens do calendário social, as pessoas surdas passam a ser vistas como potenciais consumidores econômicos também de eventos culturais, graças à chegada de iniciativas de valorização da diversidade e da inclusão, um cenário que se encontra em franca expansão. Sob o ponto de vista inovador, a acessibilidade em Libras consagrada no Celebration marcou o início de uma nova era, tendo também a AAPPE e o IRES como precursores, assim como aconteceu em 1998, quando a Associação liderou o processo de implantação da Língua de Sinais no estado.
Através dos esforços da associação e do instituto, nas últimas três décadas foram encaminhadas ao mercado de trabalho mais de 5 mil pessoas com deficiência, várias pessoas foram capacitadas para a Libras, além da qualificação de dezenas de tradutores/intérpretes. O IRES, que foi criado pela AAPPE, presta consultoria e possui equipe especializada que atua em projetos acessíveis nas áreas jurídica, cultural, governamental, dentre outras. A nova era conta com a nossa força empreendedora e ativista para a inclusão e a integração dos sujeitos surdos enquanto cidadãos plenos, capazes e atuantes na sociedade.
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