Opinião
Um dia de seriedade - Editorial
Primeiro de abril. Dia consagrado pela cultura popular aos tolos, aos iludidos. Dia marcado pelas brincadeiras de gosto duvidoso. Neste primeiro de abril de 2007, a realidade não está para brincadeiras, até porque os problemas reais que afligem os brasileiros são por demais sérios para que possam servir de gozação. Dentre as vicissitudes do momento está a crise no transporte aéreo, causadora de gigantescos transtornos. E, como não poderia deixar de ser, não é possível se esquecer da catastrófica realidade de insegurança pública que oprime a cidadania brasileira. A crise na segurança pública afirma-se como continuada e em constante agravamento, manifestando-se em todo Brasil. Neste aspecto, é como se vivêssemos um interminável primeiro de abril, há anos. Nesse longo dia de sofrimento, os bandidos dão as cartas, fazem o jogo, transformam o cidadão em otário, quando não matam sem piedade. Nesse longo dia de fustigamento a cidadania, o que mais incomoda é a inexistência de repostas efetivas, a ineficiência dos projetos elaborados para ?pôr ordem na casa?. Dia após dia, ano após ano, os problemas vão sendo postergados e se agravando. Nenhuma solução real é apresentada. Quando os controladores de vôo radicalizam, palavras governamentais, normalmente indignadas, reafirmam promessas. Quando a economia do País perde repetidas oportunidades para crescer, repetem-se desculpas governamentais. Quando acontece algum crime chocante, choramos, lamentamos, nos horrorizamos, e os poderes públicos prometem mudanças ? que nunca se realizam. Estariam as autoridades a nos pregarem peças? Neste primeiro de abril, dia da brincadeira, devemos falar sério. Recusar o humor fácil como substituto das comoções. Devemos cobrar soluções verdadeiras.