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O professor em primeiro lugar

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| Renan Calheiros * É impossível retomar o caminho do desenvolvimento sem investir na educação. E é impossível ter uma educação de qualidade sem apostar na valorização profissional do professor. Respeito, remuneração digna e condições efetivas de trabalho são, mais que simples direitos, condições básicas para o professor exercer, de forma plena, seu papel na construção da aprendizagem e da cidadania. Mas isso está longe de acontecer no Brasil. É o amor pela educação que sustenta o trabalho de boa parte de nossos professores. Salários muitas vezes vergonhosos, ausência de programas de qualificação ou reciclagem profissional, escolas sem a menor estrutura física, carência de material didático, tudo isso faz parte da realidade dos nossos profissionais de educação. É nesse cenário que comemoramos o acordo que encerrou a greve dos professores de Alagoas. A isonomia salarial conquistada pela categoria é um primeiro passo para mudarmos, de vez, o quadro da educação em nosso Estado. Um quadro que não é de todo diverso do restante do Brasil, especialmente das regiões mais pobres. Estudos do próprio Ministério da Educação apontam que, em 2003, 45% dos 2,6 milhões de professores brasileiros trabalhavam em escolas públicas sem biblioteca; 74% não contavam com laboratórios de informática; e 80%, com laboratórios de ciências. O número de professores leigos diminuiu bastante, mas apenas 57% dos docentes do ensino básico possuíam formação em nível superior. Já os salários baixos tinham ? e ainda têm ? como resultado, a dupla ou tripla jornada de trabalho, comprometendo o desempenho na sala de aula. Um ano e meio atrás, o Manifesto pela Educação, lançado pelos senadores, defendia um pacto nacional em favor de um ensino universal e de qualidade. Segundo o próprio MEC, apesar de 99% de nossas crianças estarem matriculadas na escola, a qualidade de nosso ensino ainda deixa muito a desejar. Basta dizer que 780 mil alunos que chegam à quarta série não sabem ler nem escrever direito. A regulamentação definitiva do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb) é o próximo desafio do Congresso. Um de seus maiores méritos é ter como prioridade a valorização do professor, inclusive com a definição de um piso salarial nacional para a categoria. Não podemos esquecer: sem uma educação digna, nossos meninos e meninas não terão direito a um futuro. Mais do que isso, não poderão construir o futuro de nosso País. (*) É presidente do Senado Federal.

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