Opinião
Problemas do lixo - Editorial
Como mostramos domingo, em reportagem especial, a destinação adequada do lixo em Alagoas é um problema merecedor de maiores preocupações. A matéria não apenas confirma a existência de uma situação bastante antiga e que se agrava na região do Vale do Mundaú, a partir de pesquisa feita no município de União dos Palmares. Conforme lemos, trata-se de uma realidade gravíssima, uma vez que o lançamento do lixo das localidades urbanas e rurais da região afeta várias cidades, inclusive Maceió, que já tem seus problemas provocados pelo lixo como um dos mais antigos e piores desafios. O quadro é merecedor de medidas urgentes, inclusive em termos de recursos financeiros e de ações de resultados permanentes. Até porque um estudo de iniciativa do próprio Instituto do Meio Ambiente (IMA), datado de 2000, mostra que a destinação final dos resíduos sólidos em Alagoas caracteriza-se basicamente por lixões a céu aberto com potencial de contaminação dos recursos hídricos, do solo e do ar. Existiam, então, apenas cinco aterros controlados e um aterro industrial em todo o Estado. E não há, até hoje, notícias de melhoras significativas nessa área. Basta vermos que um diagnóstico lançado mais recentemente pelo Ministério das Cidades, envolvendo municípios de 25 Estados e o Distrito Federal ? o equivalente a 38% da população brasileira ? indica que 36% do lixo produzido neles vai para os lixões e aterros sanitários. Em 49% desses lixões e aterros não há impermeabilização do solo e em 11% o lixo fica descoberto. 47% dos lixões não têm qualquer tipo de licença ambiental, e 1,7% tem apenas licença ambiental prévia. Como se vê, o quadro precisa de uma intervenção firme, com as devidas providências no sentido da construção ? o mais rápido possível ? do aterro sanitário que Maceió ainda não tem. Antes que seja tarde demais.