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Gotas de �gua

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Álvaro José M. da Costa * Com pouco mais que 12% de toda água doce disponível no planeta, o Brasil é ainda invejado e exaltado como o paraíso das águas. Sem muito esforço, é possível constatar que, se em nossas dimensões continentais há água em abundância, por outro lado, a sua distribuição é cruel, pois, em linhas gerais, 30% das reservas destinam-se a atender a 93% da população. Na região Norte, onde estão 6,98% da população do Brasil, estão também 68,50% da água doce disponível evidenciando uma excelente situação da relação oferta e demanda; na região Centro-Oeste, também há mais água ofertada que demanda, com a relação de 6,41% de população para 15,75% de água. Por outro lado, no pobre Nordeste, onde estão 28,91% da população, são encontradas apenas 3,30% das reservas de água doce, e no Brasil rico do Sudeste estão 42,65% da população para uma disponibilidade de apenas 6,00%, aproximando regiões com indicadores sociais, econômicos e financeiros bem diferentes, porém, convivendo com a mesma realidade de um forte desequilíbrio entre a oferta e a demanda por água. Com exceção do Ceará, onde realmente se pratica a gestão integrada de recursos hídricos, nos demais Estados do Nordeste brasileiro ainda há razoáveis doses de improvisação, ação pública descontínua e baixa prioridade para com a gestão de recursos hídricos. Há uma dedicada busca por megaconstruções como barragens, grandes adutoras, magníficos canais e projetos para uso integrado da água cuja utilidade, sem dúvidas, em alguns casos, é relevante e necessária, porém, em muitos outros mereceria uma cuidadosa avaliação, pois, o uso inadequado da água foi o motivo de grandes desastres sócio-ambientais no mundo. O que preocupa é observar que a gestão de recursos hídricos no Nordeste é meramente circunstancial. Existe quando os governadores pensam no futuro e conhecem o assunto. Não se estabeleceu como uma ação gerencial permanente, profissionalizada e estratégica. Na comemoração do Dia Mundial da Água, muitos rios foram abraçados, muitos discursos emocionados e vibrantes ecoaram por muitos auditórios chegando com certeza aos corações e mentes de vários brasileiros que hoje conseguem entender quão importante é preservar, conservar e proteger os recursos hídricos. É muito bom ver e saber que o povo, ele mesmo, já consegue entender que sem água a vida se tornará inviável e, mais ainda, que ela pode se acabar tanto pelo uso excessivo como pelo desperdício. (*) É engenheiro e diretor comercial da Casal.

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