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Th�o Brand�o e a Jati�ca

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| Anilda Leão * Falar sobre Théo Brandão é lembrar o ?Sítio Jatiúca?, que depois emprestaria seu nome a todo o bairro, mas que nos anos 50 e 60 era um bonito chalé avarandado, situado a considerável distância da praia, cercado pelo antigo coqueiral e árvores frutíferas. Hoje demolida, a casa deu lugar a um desses prédios de luxo da classe média alta, cujo nome, na falta de alguém mais representativo, parece ser de um personagem destacado do mundo da moda europeu. Ali, nos fins de semana, Théo reunia amigos e parentes para os banhos de mar, seguidos de bons papos sobre literatura e arte, além da grande paixão, o folclore. Ali recebia também os convidados. Moliterno e eu tínhamos cadeira cativa, pois além de amigos éramos compadres. Incansável, Élide, a companheira, cercava a todos de cuidados, principalmente no que se refere à culinária, que fazia questão de supervisionar pessoalmente, culminando num famoso doce de coco até hoje inigualado. Um de seus orgulhos era contar que a primeira estrada da Jatiúca fora feita por ele, Durval Cortez, José Carneiro e Arthur Acioly, os primeiros a explorar aqueles domínios. Era um caminho sinuoso, por entre o coqueiral que até meados do século XX cobria toda a extensão que vai dos Sete Coqueiros à atual Jatiúca, passando por pequenas pontes rústicas, os chamados mata-burros. Na curva da Ponta Verde, tínhamos a visão do Gogó da Ema, então nosso símbolo mais famoso. Théo Brandão citava Anísio Teixeira ao dizer que, diante das mudanças sócio-econômicas, a tendência seria o desaparecimento do folclore na sociedade moderna, como coisa arcaica e ultrapassada. Esperava, contudo, que uma força maior impedisse esse desenlace, preservando os costumes do povo para futuras gerações. E apontava os nomes de duas figuras da terra como os mais aptos a continuar o seu trabalho: Pedro Teixeira, estudioso e animador infatigável dos costumes populares e José Maria Tenório, que veio a constituir-se em seu mais importante discípulo, conhecedor de toda a sua obra e autor de uma biografia do folclorista. Aliás, ausência notada ? e anotada ? na festa do centenário do Mestre. Quando da inauguração do Museu que leva seu nome, ao qual doou grande parte do acervo ainda em vida, ele disse achar muito precoce aquela homenagem, pois o fazia sentir-se, ele próprio, uma peça de museu. Era contra essas homenagens a pessoas ainda vivas. Théo Brandão e Jatiúca, dois nomes para sempre inseparáveis. (*) É escritora e poeta.

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