Opinião
Aquecimento global - Editorial
O aquecimento global, que passou a ser um dos principais assuntos discutidos mundialmente, começa a ser causa das maiores preocupações por especialistas também no País. As regiões brasileiras vão sentir os seus efeitos de forma diferente, como disse, nesta semana, um representante do Greenpace, às vésperas da divulgação de um novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU). ?No Nordeste, por exemplo, uma das conseqüências será o agravamento da desertificação, enquanto que no Sudeste será a elevação do nível do mar?. Para termos uma idéia do tamanho do problema, basta a informação de que mais de 1 bilhão de pessoas vivem em regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, responsáveis por 22% da produção de alimentos do mundo. Só no Nordeste brasileiro, segundo o Ministério do Meio Ambiente, há 32 milhões de habitantes vivendo em áreas que ocupam mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, ou seja, 15,7% do território nacional e podem se tornar desérticas. Para especialistas, essas pessoas não ficarão nas áreas em que habitam hoje. ?Antes se tinha um processo de êxodo a partir da seca, e isso não vai ser mais episódico. Será um problema sério?. Estudos do mesmo ministério também revelam que 42 milhões de brasileiros podem ser afetados com a elevação do nível do mar. Os resultados disso tudo serão cada vez maiores e deverão ser sentidos daqui a cem anos, quando o mar poderá estar 50 centímetros mais alto e o aumento da temperatura poderá chegar aos 4º C. Mas ainda há tempo para as providências até hoje não adotadas ou sequer imaginadas para evitar situações de calamidades cada vez mais piores. Das secas às enchentes. Especialmente neste País que figura entre os mais vulneráveis e que menos investe em infra-estrutura.