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domingo, 31/08/2025 | Ano | Nº 6044
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Opinião

Ninjas & Belos

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RONALD MENDONÇA * Pelo menos durante os quatro anos em que Elias Maluco esteve encarcerado, a sociedade conseguiu se ver livre da ?presença física? desse bandido. Para os que ainda não sabem, Maluco é um dos chefes do tráfico do Rio de Janeiro, apontado como o assassino do repórter policial da Rede Globo, Tim Lopes. O detalhe do golpe de espada ninja atravessando o corpo do jornalista resume bem o nível da repulsiva e insana crueldade desse sujeito. Dói saber que um dia a Justiça conseguiu pôr as mãos nesse marginal e que depois de algum tempo o liberou por ?bom comportamento?. Segundo se divulga, existe no Código Penal uma avenida por onde passam gregos e troianos sob o manto de uma certa ?pena progressiva?, ou algo assim, que contempla os apenados de bom comportamento?, nesses casos, deve ter um espectro conceitual bastante elástico. É claro que esses ?capos? do tráfico, mesmo enjaulados, se fazem presentes nos seus quartéis-generais, se não física, mas espiritualmente, através dos prepostos e de ordens emanadas, ainda hoje, pelo telefone celular que, por sua vez, ao lado do estilete e do papelote de cocaína, faz parte do kit do presidiário moderno e VIP. Se não bastassem os lugar-tenentes, os chefões do crime têm oportunidade de receber colaborações de, digamos, ?simpatizantes?, oriundos de chamada ?fatia boa? da sociedade, que de alguma forma é beneficiária das ações criminosas ou, na melhor das hipóteses, apenas recebe proteção dos padrinhos delinqüentes. Enganam-se os que pensam que só gente famosa ? como o cantor Belo e graúdos da magistratura e do Legislativo -, mantém relação simbiótica com o submundo. Há uma rede miliar de gente comum, profissionais liberais, comerciantes, donas de casa inclusive, que só demonstram constrangimento de receptar quando a coisa se torna pública. Aí, tal e qual o pagodeiro, jurando inocência, botam a carinha mais ingênua do mundo. O fato é que a liberação de Elias Maluco, sem que tivesse completado o tempo de condenação, provou, mais uma vez, a nefasta vulnerabilidade do nosso Código Penal. Aquela axioma beccariano de que o importante não é o tamanho da pena mas a certeza da sua aplicação, numa sociedade violenta como a nossa, torna-se, a cada dia, mais caduco. Com essas leis frouxas e com toda essa gente de ?bom caráter? (os Belos da vida) vestindo a camisa da marginalidade, talvez não esteja longe o dia em que vá se afirmar que cada povo tem o ninja maluco que merece. (*) é médico e professor da Ufal E-mail: [email protected]

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