Opinião
Saneamento b�sico - Editorial
Cerca de 80% dos municípios brasileiros ainda lançam esgoto diretamente em cursos de água ou a céu aberto, como se não bastassem outras constantes situações de risco e os graves problemas de saúde de expressiva parcela da população, em todo o País, causados por outros fatores, entre eles a desnutrição e a má alimentação. As necessidades nessa área são crônicas, além de crescentes e cada vez mais merecedoras de protestos e preocupações em todo o território nacional. Em boa parte dos casos, elas existem não apenas pela insuficiência de recursos financeiros ou pela falta de repasse de verbas suficientes da União, mas sim, devido à falta de fiscalização quanto ao uso do dinheiro público, ao descaso, à impunidade, de pessoas sem condições reais de autorizarem ou administrarem o dinheiro que pertence ao povo e que deve ser exclusivamente aplicado em benefício da coletividade. A gente alagoana não precisa sair de seu próprio Estado para saber onde existem os fatos ligados a essa vergonhosa e condenável realidade em todos os aspectos. Como mostramos, em detalhes, mediante textos e fotos no caderno de Cidades, na edição de domingo último, os resultados dessas irresponsabilidades podem ser constatados facilmente em vários lugares do território alagoano. Nas cidades do Vale do Mundaú, por exemplo, algumas pessoas, entre as quais gestores da coisa pública, não usaram de forma correta, como deveriam, os recursos que chegaram a ser liberados e estimados em R$ 40 milhões, para a execução do Projeto de Revitalização do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú/Manguaba. Como eles não foram utilizados em prol das 21 cidades da região, incluindo Maceió, que está entre as mais afetadas com o não tratamento adequado de esgotos, permanecemos entre os Estados mais carentes também em saneamento básico. É algo que precisa mudar logo.