Opinião
O Sacramento do Amor 2
| Dom Edvaldo G. Amaral * Concluo os comentários que vinha fazendo em meu último artigo sobre a recente Exortação Apostólica do Papa Bento XVI sobre o Sacramento do Amor, fonte e ápice da vida cristã. Na 3ª parte, a Exortação considera a ?Forma eucarística da vida cristã?. Começa com as palavras de Jesus em João, 6,57: ?Como eu vivo pelo Pai, aquele que me recebe viverá por mim?. Os títulos são já bem expressivos: viver segundo o domingo; uma forma eucarística da existência cristã é a pertença eclesial; a espiritualidade sacerdotal e a vida consagrada estão intimamente ligadas à eucaristia e como os leigos devem viver eucaristicamente, convocados pela liturgia; o mistério eucarístico gera o testemunho cristão e traz implicações sociais porque a eucaristia, pão repartido para a vida do mundo, nos interpela e provoca todos os cristãos a serem obreiros de paz e justiça. Quero fazer aqui três destaques em toda a riqueza teológica desta Exortação Apostólica. O primeiro refere-se a uma conclusão do sínodo dos bispos, que sublinhou como o sacerdócio ministerial requer, através da ordenação, a plena configuração a Cristo. E Bento XVI diz que, respeitando a prática e tradição oriental, ele, também, em sintonia com a grande tradição eclesial, com o concílio e seus predecessores, quer corroborar a beleza e a importância duma vida sacerdotal vivida no celibato, como sinal expressivo de dedicação total e exclusiva a Cristo e ao Reino de Deus (n. 24). O segundo destaque refere-se ao que o santo padre chama de ?problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira chaga (não ?praga? como saiu na tradução lusitana) que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos. São as dolorosas situações em que se encontram os fiéis que se divorciaram e contraíram novas núpcias?. E com carinho pastoral, ele ensina ?que os divorciados re-casados, se não podem receber a comunhão, continuam a pertencer à Igreja, que os acompanha com especial solicitude, desejando que cultivem um estilo cristão de vida, através da participação na santa missa ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da adoração eucarística, do diálogo franco com um mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos? (n. 29). Saibamos aproveitar para nossa vida eucarística as sábias lições do ensinamento do sumo pontífice. (*) É arcebispo emérito de Maceió.