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Sonho e paix�o

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| Ronald Mendonça * Nunca é demais discorrer sobre as coisas boas. Neste início de maio, alagoanos de todas as classes sociais têm um motivo muito especial para sentir-se orgulhosos: a Faculdade Medicina de Alagoas comemora 57 anos. Fundada com a cara e a coragem por um grupo de médicos tendo à frente o pioneirismo indomável do jovem Ib Gatto Falcão, a sonhada casa de Hipócrates das Alagoas tinha tudo para não dar certo. Nula em recursos financeiros e em estrutura física, o contingente humano que iria formar o corpo docente era um indecifrável enigma. Com efeito, a seleção inicial dos futuros professores carregaria presumível dose de subjetividade. Lecionando de graça, a exigência básica era o inarredável compromisso com a dedicação ao ensino (leia-se, a vontade de crescer junto com a instituição), posto que, naquela massa disponível, onde sobrava entusiasmo, a experiência docente era restrita ao ensino médio em colégios É histórico que o ciclotímico governador Silvestre Péricles, ao doar um antigo quartel localizado na Praça Afrânio Jorge, seria fundamental para o registro da faculdade no Ministério da Educação. Como não existe faculdade de medicina sem hospital-escola, graças ao endosso do doutor Ib, seu diretor médico, a Santa Casa de Misericórdia de Maceió disponibilizaria as centenas de leitos dos indigentes. A nova academia marcaria profundamente o modus vivendi da província. Um desafio para os obstinados, o rigoroso vestibular de medicina tornar-se-ia proverbial. Não obstante o caráter privado da entidade, ser médico passaria a ser um sonho possível também para os menos favorecidos. Antes dela, somente uns poucos conseguiam custear uma faculdade em outro Estado. Na realidade, ainda está para ser dimensionada a exata extensão do impacto social que a criação de uma faculdade de medicina produz num Estado pobre como o nosso. Hoje, uma jovem senhora fogosa, a Faculdade de Medicina de Alagoas é uma peça imprescindível na engrenagem da Ufal. Buscando incessante interação com a comunidade, sem poder tirar o olho da universalidade do saber, a Famed tem passado, presente e futuro. Na condição de ex-aluno e, há 30 anos, de professor, minha história está irremediavelmente ligada com a da faculdade. Nesse período, participei de seus momentos de fastígio e de inevitáveis descompassos. Como se renascesse das cinzas, é lá que diariamente a velha e recorrente paixão em ser médico se renova e se fortalece. (*) É médico e professor da Ufal.

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