Opinião
Eis o dia que o Senhor fez para n�s
| Dom Antonio, O. CARM. * O grande dia, o dia do Rei, o primeiro dia sem noite, a primavera do tempo sem ocaso. Ele está no meio de nós! Eis aí a grande certeza da ?professio fidei? (Credo) da comunidade cristã na sua mais remota constituição litúrgica. Esta é a forma litúrgica de acolher na fé o fundamental anúncio da realidade da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo: ?Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui, ressuscitou!? (Lc. 24,5-6). É muito difícil encontrar palavras justas para dizer este mistério, é preciso dizer não as usuais, aí surge a forma litúrgica como uma privilegiada maneira de dizer/celebrando este grande mistério da presença daquele que foi morto pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. A eucaristia dominical, é pois, o lugar único de se fazer na fé e com a comunidade cristã, a experiência do Cristo vivo e presente no meio de nós. É aí que esta mensagem de vida entra e vai até o âmago do nosso ser, até transformar toda nossa realidade na fé que professamos. A eucaristia dominical bem celebrada torna-se, pela sua própria natureza, uma verdadeira educadora da fé, de cada um de seus membros e de toda a comunidade celebrante. Ele está conosco não para o nosso deleite. A comunidade dos redimidos é também uma comunidade convocada a anunciar e testemunhar na missão a experiência vivida: ?Como o Pai me enviou, eu também vos envio?. A Páscoa suscita uma Igreja missionária, que deve anunciar no mundo a boa notícia (evangelho) do amor de Deus, amor pessoal e redentor que jamais nos levará ao fracasso, apesar dos sofrimentos incompreensíveis e das dores porque passamos. Um amor vencedor cuja prova de sua vitória foi a ressurreição de Jesus dentre os mortos. Derivam desta verdade frontal conseqüências para a nossa vida concreta e para a história em que vivemos. Deus, pela ressurreição de seu unigênito Filho feito homem, torna-se próximo de nós, dando um novo e único sentido para a vida humana: esta é a notícia mais humana do cristianismo! O batismo, sacramento pascal por excelência, abre para nós esta vida divina de comunhão com o ressuscitado e acende em nós uma verdadeira esperança neste duro e desconfortante peregrinar: ?Se ressuscitastes como Cristo, buscai as coisas do alto?. (1 Cor. 5,6-8). (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.