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| Jorge Oliveira * Infelizmente a ordem para tirar o programa de Edécio Lopes do ar ocorreu no exercício do mandato de governador de Alagoas do médico José Wanderley Neto, como todos sabem, um democrata. Nada justifica o absurdo, a prepotência e a arrogância do preposto que emitiu o comunicado para que o programa do Edécio, feito por um dos mais conceituados comunicadores, fosse tirado do ar quando o prefeito Cícero Almeida dava uma entrevista. Ordens como essas não se justificam, como tentou fazer o governador. Ordens como essas devem ser anuladas até mesmo com pedidos de desculpas, como regra elementar de uma convivência num Estado de Direito, em um País que aboliu a nefasta censura à imprensa à custa do suor e sangue dos que deram a própria vida para que os brasileiros pudessem hoje gozar do privilégio de uma imprensa livre, sem mordaças. Wanderley é partícipe da vitória desses brasileiros. Como médico, à frente de associações de classe que dirigiu, esteve na trincheira de luta contra o arbítrio e o regime de força. Usou os microfones das emissoras de todo o Brasil pregando e defendendo suas idéias e da sua classe numa imprensa livre e democrática. Não lembro de alguma contra-ordem que o tenha tirado do ar ou de alguém punido por tê-lo entrevistado. Portanto, o governador em exercício não pode pactuar, alegando desobediência administrativa, com essa decisão esdrúxula que calou a voz de Edécio Lopes e constrangeu seus milhares de ouvintes, surpreendidos com a rádio fora do ar. A Rádio Educativa FM, integrante do Instituto Zumbi dos Palmares, guarda em seus arquivos memoráveis programas de vanguarda, feitos por valorosos radialistas. Edécio Lopes é um deles ? um patrimônio do Estado de Alagoas. Um homem honrado, sensato e íntegro. Humilhar Edécio Lopes com uma ordem estapafúrdia, absurda, tirando-o do ar é, sem dúvida, afrontar os brios não só dos jornalistas e dos radialistas, mas dos milhares de ouvintes que ele conquistou nesses quase 50 anos de vida profissional. A Rádio Educativa FM é do contribuinte, que a mantém com o dinheiro dos seus impostos. Puni-la por receber um prefeito que prestava contas do seu mandato aos ouvintes é no mínimo uma insensatez. E um governo como o de Teotônio Vilela Filho e de José Wanderley Neto, dois notáveis personagens da política alagoana, que também foram vítimas da prepotência de um Estado arbitrário e autoritário, não pode ser cúmplice de quem se arvora do direito de decidir por um governo. E o pior, não pode justificá-la sob pena de assinar embaixo uma ordem descabida e extemporânea. (*) É jornalista e cineasta.

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