Opinião
Sobre a merenda - Editorial
Ainda o dinheiro da merenda. Em 1989, há menos de 20 anos, portanto, o País possuía exatos 4.424 municípios (atualmente são quase seis mil) onde viviam, sob a proteção do poder local, segundo o IBGE, mais de 141 milhões de habitantes, governados por quase dez mil prefeitos e vices, além de mais de 50 mil vereadores. Nessa época, já se discutia a revitalização das municipalidades, fundamental para o futuro do País de dimensões continentais que depende do desempenho de seus governantes e legisladores. Sobretudo nos municípios. Mas eles, os municípios, considerados ?as principais células de uma nação?, continuam tratados como primos pobres da federação, com suas lideranças e seus representantes lutando pela descentralização político-administrativa e lutando contra a desigual distribuição das verbas da União. Mas, ao mesmo tempo, há municípios sem condições de apresentar os resultados de projetos abrangentes e de resultados duradouros nas áreas social e de infra-estrutura, mais em conseqüência da má aplicação dos recursos próprios bem como dos repassados pelo governo federal e de outras fontes do que da escassez. Como se não bastassem as dificuldades crescentes para o enfrentamento da fome, da miséria e do analfabetismo causadas por fatos como estes, quase duas dezenas de municípios das regiões tradicionalmente mais pobres do nosso Estado, acabam de aparecer na relação dos que podem sofrer suspensão da merenda escolar pelo governo federal, devido à falta da apresentação das contas e à não organização dos conselhos municipais responsáveis pela fiscalização do programa. Conseqüentemente, fica ainda mais difícil Alagoas e o Brasil retomarem o seu desenvolvimento social e econômico, cumprindo, antes de tudo, a meta ?Educação para todos?. É tempo de corrigir o rumo.