Opinião
Uma viagem aventuresca
| Lysette Lyra * Recebi um convite irrecusável da American Airlines, a maior companhia aérea do mundo, cujos serviços, eu já conhecia. O roteiro: São Paulo, New york, Paris, New York, São Paulo. Preço convidativo. Foi atração à primeira vista. Duas culturas, duas línguas, duas grandes cidades, cujos atrativos culturais eram os mais fascinantes. Uma a mais pujante do mundo. A outra, a mais bela. Como resistir a um tal chamamento? Embarquei na aventura, sob os protestos de minha família que se preocupa em me ver andar pelo mundo sozinha, numa cadeira de rodas automática. Entrego-me aos cuidados da Virgem Maria, aprumo a minha coragem e embarco cheia de entusiasmo. Cada viagem me dá o prazer da primeira, é como se não estivesse estado, tantas vezes, em ambas capitais, amo-as, e, revê-las me dá gloriosas sensações. Assim, parti sem receios em busca dos meus ideais. O avião seguia lotado rumo ao país do Bush. Claro que passamos por todos os exames impostos pela segurança, por ser os Estados Unidos sempre ameaçado pelos terroristas. Líquidos, objetos cortantes ou perfurantes na bagagem de mão, nem ver. Até minha pasta de dentes foi condenada. Temos que nos submeter às mais cautelosas análises compreendendo suas razões e sabendo que a segurança é para nosso próprio bem, embora, às vezes, incômoda. Não houve muitos atrasos no embarque, felizmente, o que se faz estafante. A temperatura em New York estava a um grau negativo, mas um céu de brigadeiro iluminava essa cidade grandiosa, cujos arranha-céus desafiam a gravidade e a nossa admiração. Fiquei no Hotel Pennsylvania, cuja freqüência é das mais agitadas, por ser central, não muito caro e ter bons serviços. É enorme, tomando toda uma das imensas quadras da grande metrópole. Logo pertinho, fica a famosa loja de departamentos, a Macys, que estava com uma interessantíssima decoração brindando a chegada da primavera. Depois de me instalar durante toda manhã, montei-me na minha velha amiga, a cadeira de rodas e lancei-me às ruas, louca para tomar parte na imensa multidão animada que as percorria. Nunca vi tanta gente em New York. Era a Semana Santa, de longo feriado, e os estrangeiros e americanos aproveitam para usufruir os bons preços das liquidações oferecidas pelas lojas desse enorme centro comercial. Andar nessa cidade é facílimo, com as ruas numeradas e bem projetadas. Todas estão preparadas para os deficientes e a cadeira de rodas não encontra problemas. Além disso, as pessoas estão sempre solícitas a ajudar àqueles que têm alguma dificuldade de locomoção. Logo busquei os programas culturais para providenciar os ingressos. Com tanta gente na cidade, às vezes, se torna difícil encontrar entradas para o que queremos assistir. (*) É escritora.