Opinião
Perigo entre grades - Editorial
Novamente, mais uma rebelião de presidiários assusta a opinião pública. Felizmente, ao término do protesto, os reféns foram liberados com vida e saúde. Desta vez, o foco das atenções foi atraído pela amotinação dos detentos, para a cidade de Arapiraca. É a inevitável tendência de irradiação das formas de ação e reação adotadas pelos presidiários, seguindo à risca os modelos praticados originalmente pelos apenados de cadeias situadas nos grandes centros urbanos brasileiros. A partir das grandes cidades, as formas de rebelião foram copiadas nas demais capitais, agora, são as principais cidades interioranas as áreas alcançadas pela sincronia de revoltas. Motivos para os protestos são evidentes e inegáveis. Em primeiro lugar é legítimo conto de fadas o processo de ?ressocialização? pretendido pelas normas prisionais brasileiras. Cadeia não recupera ninguém em nenhum lugar do Brasil. Com propriedade, toda a estrutura prisional brasileira (desde as celas das delegacias aos presídios de máxima segurança, passando pelas dantescas casas destinadas aos menores infratores) são conhecidas como as ?universidades do crime?. Entre as grades, na prática, a teoria de reeducação é outra. Se entra menor infrator, sai maior criminoso; entra como punguista, sai como assassino, e assim por diante, sucessivamente. Sem perspectivas, sem sequer espaço físico digno para a sobrevivência cotidiana, o que pode restar, a quem não foge, senão rebelar-se de tempos em tempos? Hoje, a sociedade brasileira começa a perceber a profundidade da crise na segurança pública. O Estado brasileiro não apenas é incapaz de enfrentar os bandidos que andam, e barbarizam, à solta em todas as cidades. O Estado brasileiro é incapaz de manter em ordem o interior das cadeias. A ineficiência em prender equivale-se à incompetência em manter preso.