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Ciclovias em Macei�

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| Ruben Wanderley Filho * Atravessei junto com alguns amigos de bicicleta, a Cordilheira dos Andes. Pode parecer algo perigoso, pois imaginamos altas montanhas, ar rarefeito e muita neve. Nada disto, os Andes em algumas partes deixam de formar uma única cadeia montanhosa e se ramificam separadamente. Foi justamente por estes vales, cercados de belas paisagens que fizemos nossa travessia. Ao retornar à cidade de Maceió, encontro sobre minha mesa de trabalho um exemplar do Anuário da Revista Espia 2006; revista de opinião a mim oferecida e autografada pelo amigo escritor Carlito Lima. Devorei-a naquela noite, e entre várias pérolas ali colocadas, um aplauso a iniciativa do nosso prefeito no que toca a criação de ciclovias na área urbanizada da Pajuçara, sugerindo com as mesmas cortar a cidade em seus grandes eixos viários. Sabemos que o grau de evolução de uma sociedade se mede pelo nível de respeito que se tem com seus cidadãos e o meio-ambiente. Na prática, porém, a sociedade esquece de fazê-lo. Andar de bicicleta pelo trânsito de Maceió é um verdadeiro ?salve-se quem puder?. Isso porque hoje a bicicleta é pensada como um elemento à parte do sistema de transporte. O correto seria integrá-la com os outros meios. Países do primeiro mundo no entanto, parecem já ter superado o tema do respeito ao ciclista. Ano passado percorri na Espanha o Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta e pude constatar a prioridade que é dada ao ciclista. A integração de ciclovias ao espaço urbano efetiva a mobilidade sustentável. Mas como reivindicar ciclovias num País como o Brasil, em que na maioria de suas cidades, ainda falta consciência e respeito, além de pouca infra-estrutura urbana? A má qualidade do transporte público faz com que muitas pessoas utilizem os seus carros, tumultuando os centros das cidades. Outro problema é a exclusão social: milhões de pessoas no País, sem acesso ao serviço de transporte público, ficam impossibilitadas de usufruir de outros serviços essenciais, como saúde, educação e lazer. Por isso, é tão importante a idéia de mobilidade integrada, na qual um sistema cicloviário faria a ligação de bairros, regiões e cidades. Desse modo, possibilitaria à sociedade a inclusão social tão esperada. Leve-se em conta que é o meio de transporte mais barato do mundo e de quebra teríamos o ganho com a saúde, pois como afirma Carlito Lima, bicicleta é um excelente exercício aeróbico, não polui, é silenciosa e deixa a cidade mais limpa. (*) É arquiteto e urbanista.

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