Opinião
Uma trajet�ria de f�, cultura e cidadania
| Margarete Cavalcanti * Humberto Cavalcanti, filho de José Amorim Cavalcanti, comerciante de tecidos e de Gilberta Moura de Araújo Cavalcanti, nasceu na cidade de Viçosa das Alagoas, reconhecida, há muito tempo, como a ?Atenas Alagoana?, pelos inúmeros filhos ilustres, dedicados à literatura, à Política, à Música, etc., passando em seguida por Capela, residindo em Maceió. Sua vida teve a marca profunda da simplicidade, unida a uma persistência e tenacidade que só os simples possuem. Era uma excelente figura humana, inteligente, de memória poderosa, amigo efusivamente prestativo, que sabia aliar ? o que não é muito comum ? os seus privilegiados dotes de intelectual e de homem de letras, ao seu caráter amigo, leal, solidário e amoroso. Ordenado sacerdote, em 8 de dezembro de 1950, de Maceió, Humberto foi estudar na Universidade Gregoriana de Roma, onde ingressou no curso de Mestrado em Teologia. Posteriormente, de volta à terra natal, passou a exercer o magistério secundário, no antigo Liceu Alagoano, como catedrático em Língua Portuguesa e Literatura. Depois se graduou em Direito, tendo ingressado no curso de Mestrado em Direito da PUC (Rio de Janeiro). Na vida pública exerceu, outrossim, os cargos de professor universitário, chefe de gabinete da reitoria da Universidade Federal de Alagoas, consultor jurídico do Estado, procurador do Tribunal de Contas de Alagoas, e secretário de Estado do Gabinete Civil no governo de Guilherme Palmeira e de outros governos. Não olvidando que pontificou brilhantemente, como membro da Academia Alagoana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Poder-se-á dizer, sem qualquer sombra de exagero, que Humberto Cavalcanti era um homem polimorfo, tal a capacidade de diversificação de posturas e posicionamentos configurados nos seus artigos, crônicas, discursos, e quando sacerdote, ao proferir suas belíssimas homilias. Humberto faz falta ao nosso meio, não obstante, Alagoas foi presenteada com grandes talentos, do passado e do presente, mulheres e homens que reverberam na Literatura, no Direito e nas Ciências. Deus interrompeu, em seus propósitos inefáveis e decretos misteriosos, exatamente no dia 23 de março de 2005, às 5 horas da manhã, no Hospital Memorial Artur Ramos, a vida de Humberto, ?pois é morrendo que se vive para a vida eterna!?. Ficamos com seu exemplo e sua lembrança. (*) É professora.