Opinião
A seguran�a das m�quinas voadoras
| José Medeiros * Fiz muitas viagens de avião ao longo de minha vida. Foram tantas, que já perdi a conta. Como curiosidade, relembro que, na década de 1950, cruzava os céus um avião da Sadia, que fazia o percurso Maceió-Rio de Janeiro. As escalas, imaginem, eram das mais curiosas! De Maceió para chegar ao Rio, a aeronave descia em Penedo, Aracaju, Salvador, Ilhéus, Caravelas, Canavieiras, Nanuque, Vitória e, finalmente, pousava no Rio de Janeiro. Saía de Maceió às 7h e chegava ao destino por volta das 19h. Quando o passageiro saltava no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de janeiro, um zumbido nos ouvidos persistia por algumas horas (pressurização imperfeita, penso eu). Medo e receio, não pareciam dominar a maioria dos passageiros, apesar do reconhecimento da precariedade dos equipamentos do avião. Claro que, até então, não se ouvira falar em controladores de vôo ou em perigo de choque de aviões no ar. Há 10 anos, já na época dos aperfeiçoados Boeings, fiz um longo percurso aéreo de Belém ao Rio Branco (AC), a fim de participar de uma reunião de Medicina. De buraco negro ? lugar onde o radar não alcança ? jamais se tivera notícia. Passada essa década, um terrível desastre ocorrido com um avião, na Selva Amazônica, fez vir à tona fatos até então desconhecidos. Os homens que controlam o espaço aéreo são seres humanos e também podem errar, e se errarem, poderão provocar acidentes fatais. Conversei, recentemente, com um colega médico que morou em Brasília e atendeu a funcionários da Aeronáutica. As queixas mais comuns dos controladores de vôo eram estresses graves e cansaços, pelas longas horas diante das telas do radar. Esse pequeno grupo de funcionários, repentinamente, tomou consciência de seu poder de pressão. Se cruzarem os braços, uma imensa confusão instalar-se-á nos aeroportos. O que se fez, até hoje, para resolver os graves problemas de que se queixam esses profissionais, foi muito pouco. Muitas palavras e poucas decisões concretas. Já se levantou a hipótese de que eles poderão parar o tráfego aéreo às vésperas dos jogos Pan-Americanos. Se isso acontecer, os jogos Pan-Americanos do Brasil seriam transformados num pandemônio. Na minha mais recente viagem, sentado na poltrona do avião, tentei não pensar que existem controladores de vôo insatisfeitos; preferi apelar para o meu anjo da guarda, esperando que ele estivesse bem atento ao que poderia acontecer. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.