Opinião
Pobreza e fome - Editorial
O Brasil continua entre os países com maiores contingentes de miseráveis, de famintos, até mesmo nas principais regiões produtoras de gêneros de primeira necessidade, quando há a necessidade de medidas urgentes para atingirmos a primeira das oito Metas do Milênio: a diminuição da fome e da miséria em pelo menos a metade até 2015. Ocasiões para isto não faltam, como a série de discussões sobre segurança alimentar que vêm sendo realizadas no País com representantes de órgãos públicos e de entidades da sociedade civil organizada. Números recentes (relativos ao período 1991 a 2004) publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outros órgãos especializados em estatísticas, falam na redução de vários dos principais problemas que afligem a maioria dos brasileiros, entre os quais a pobreza. Mas existe também um estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), indicando o aumento da dependência dos programas sociais do governo de considerável parcela da população mais pobre mesmo com a diminuição da distância entre ricos e pobres verificada nessa mesma época. A exemplo da segurança, o combate à desnutrição terminou sendo um dos maiores desafios que precisam ser enfrentados não com ações meramente eleitoreiras ou assistencialistas, que fazem parte do rol de projetos considerados ineficientes até por organismos internacionais. São necessárias providências mais eficazes e duradouras como a promoção de maiores oportunidades de obtenção de emprego e renda e de assistência financeira e de outras formas de incentivos sempre necessárias às famílias das comunidades rurais, ao homem do campo, aos jovens que não podem permanecer sem instrução e sem outros meios de sobreviverem decentemente. E o trabalho deve ser urgente.