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Usineiros: de bandidos a her�is

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| AUGUSTO GALVÃO* Finalmente o governo federal dobrou-se às evidências: os usineiros não são bandidos, mas heróis. Heróis, primeiro, porque geram empregos, impostos e desenvolvimento para os estados e para o País. Sustentam a nação, em conjunto com os demais setores produtivos do Brasil. E são heróis, agora, porque o mundo está diante da inegável constatação de que uma providência radical precisa ser tomada em defesa do meio ambiente, da despoluição do planeta. Os combustíveis fósseis são responsáveis por carga significativa dessa poluição. O etanol produzido no País é a solução mais viável. E nós o produzimos em quantidade e com qualidade. Os governos do mundo sabem que a era do petróleo poluente está por se encerrar. E a energia que ele gera precisa ser reposta. O etanol produzido pelos hoje heróis usineiros é renovável, limpo e tem custo-benefício competitivo: basta uma unidade energética para se extrair oito unidades de etanol, e a nossa unidade energética, imaginem, ainda vem do próprio bagaço da cana. Nos Estados Unidos, para que o produto seja fabricado a partir do milho, uma unidade energética só consegue extrair 1,2 unidades de etanol. Praticamente inviável economicamente. Os industriais nordestinos mantêm uma produção de cana das mais competitivas, só perdendo para São Paulo. Entretanto, os produtores de cá têm participação social muito maior: enquanto no Centro-Sul para cada cem mil hectares de cana são empregados doze mil e quinhentos trabalhadores, os nossos usineiros empregam vinte e cinco mil trabalhadores na mesma área: o dobro. Alagoas tem papel importante nesse contexto social. Poderia, entretanto, melhorar ainda mais. Hoje os produtores rurais extraem de cada hectare de terra sessenta toneladas de cana, enquanto o Centro-Sul consegue chegar a noventa. Incompetência? De forma alguma. Chegamos ao máximo possível com conhecimentos tecnológicos de ponta. Se mais não fazemos decorre de fatores alheios à vontade dos que plantam: solo, topografia e clima. Uma boa e inteligente alternativa, no que se refere a Alagoas, seria proporcionar aos nossos heróis usineiros, e também aos nordestinos, condições mais favoráveis e competitivas, pois eles já estão com parques industriais instalados, conhecem profundamente o que fazem e estão aptos a crescer e criar os mais de sessenta mil postos de trabalho tão necessários ao nosso sofrido Estado. Vice-Presidente/Nordeste da Associação Nacional dos Procuradores de Estado, Professor de Direito da Ufal e advogado.

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