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Caridade pastoral, o bom caminho

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| Dom Antonio Muniz Fernandes, O. CARM. * ?Tende sempre diante dos olhos o exemplo do bom pastor, que não veio para ser servido, mas para servir e buscar e salvar o que estava perdido? (Do rito de ordenação presbiterial) Falamos da unidade necessária que deve haver entre a santidade objetiva do ministério e a santidade de vida do sacerdote, esta compreendida enquanto conjunto de valores e atitudes que qualificam, a partir do ministério, a existência daquele que é chamado por Deus ao serviço pastoral do seu povo. Esta santidade é construída como uma colcha de retalhos na qual muitos componentes são agregados para formar uma unidade. Nesta unidade se entrelaçam: fé, esperança, coragem, audácia profética, renúncia, espírito de pobreza e desapego, celibato, oração, disponibildade, entrega oblativa ao serviço dos outros, etc. A linha que une todos estes retalhos é aquilo que a Igreja chama de ?caritas pastoralis?. ?Agindo como o bom pastor, encontram no próprio exercício da caridade pastoral, o caminho da perfeição sacerdotal que os leva à unidade entre vida e ação? (Presbyterorum Ordinis 14). Elegendo este princípio do amor pastoral como realidade central na vida do ministro ordenado, a Igreja apresenta o vínculo da perfeição sacerdotal que une a vida com a ação. Os sacerdotes encontram a unidade em sua vida, ?unindo-se a Cristo, na entrega de si mesmos em favor do rebanho a eles confiado? (Presbyterorum Ordinis 14). A missão de Jesus de preparar e iniciar o mundo para a chegada do reino de Deus continua na Igreja. Através da entrega daqueles que foram escolhidos, a Igreja torna concreta na história esta sublime missão. A exortação apostólica ?Pastores dabo Vobis? elege a caridade pastoral como ?o princípio interior que anima e guia a vida espiritual do presbítero, enquanto configurado com Cristo cabeça e pastor? (N 23). É um dom gratuito do Espírito Santo, mas, ao mesmo tempo, tarefa e responsabilidade que exige do agraciado uma resposta livre e responsável. Como dom que nos é conferido na ordenação, a caridade pastoral é uma realidade que vai para além do sentimento ou do temperamento, das capacidades pessoais do ministro de relacionar-se ou se tornar servidor, ou até mesmo da responsabilidade com que assume o ministério. Como ramo enxertado, pela graça da ordenação, nutrimo-nos da seiva da caridade de Jesus Cristo enquanto força dinaminizadora de nossa missão e presença no mundo. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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