Opinião
Um esperado lan�amento
| Agatângelo Vasconcelos * Na semi-aridez provinciana há vultos que naturalmente se destacam mesmo a um simples olhar descompromissado, tal o seu evidente fulgor. São como algumas estrelas, que no lusco-fusco do anoitecer são capazes de ultrapassar a linha média da luminosidade e espargem claridade por distâncias consideráveis, o que faz bem a todos (ou a quase todos). Há um intelectual alagoano dos nossos dias, não o único, é claro, mas certamente um entre não muitos, que apresenta o destaque ao qual aludimos. É ele o professor Gilberto de Macedo, com a sua ?alma sanfranciscana?, pois nascido nas ribeiras do Rio São Francisco, como assinala Tobias Medeiros, o apresentador do mestre Gilberto em sua mais recente publicação intitulada ?Gilberto Freyre, a sedução do saber?. Esse trabalho, aliás, é uma notável apreciação quanto à obra de outro mestre, dito ?o solitário de Apipucos?, eminente sociólogo brasileiro. Não desejo, contudo, discorrer sobre o Gilberto pernambucano, mas sobre o Gilberto alagoano, penedense, irmão de outro brilhante intelectual, o saudoso filósofo Sylvio de Macedo. Tenhamos uma brevíssima visão da sua obra científica, sobretudo atraente, pois ?Gilberto de Macedo escreve muito bem?, como corretamente mostra Tobias Medeiros na apresentação acima mencionada. Gilberto de Macedo escreve bem porque lê bem, eis a razão pela qual acumulou grande cultura científica e humanística. Escreve muito bem por abranger em seu estilo o sentimental e o intelectual, separando-os, às vezes, para ser mais didático, amalgamando-os, quase sempre, por ser holístico. Autor de cerca de trinta livros e monografias, além de copiosa participação em revistas importantes tais como a tradicional ?Neurobiologia?, editada no Recife, e a prestigiosa ?Scientia ad Sapientia?, da Ufal, assim como de várias outras, internacionais e nacionais, é dotado de caráter produtivo, fecundo. Dos seus livros, três deles bastariam para consagrar um moderno pensador: ?Aculturação e Doença?, ?Diagnóstico da Sociedade Tecnológica?, e ?A Universidade Dialética: consciência, violência e conflito?. Membro de várias instituições culturais do Brasil e do Exterior, mestre Gilberto em sua plena, erudita e amadurecida atividade intelectual, semanalmente brinda-nos com artigos nos matutinos locais e agora promete-nos outro livro, como sempre matizado pelas cores decorrentes de sua alma sanfranciscana e do seu intelecto privilegiado. Desta feita intitulado ?Perfis de Médicos do Passado? será um olhar retrospectivo, cheio de ternura e de informações, aguardado vigilantemente por seus colegas, discípulos e amigos. (*) É medico e escritor