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Opinião

Relato de uma v�tima de assalto

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| Marcos Davi Melo * Este assalto em Maceió foi-me relatado por uma de suas vítimas, um colega médico da minha geração, que juntamente com outros colegas, uma ou duas vezes por semana, após baterem bola, estendem (ou estendiam) o programa em um restaurante da Jatiúca, onde tomavam alguns chopes. Na última noite em que estiveram lá, era perto das 22 horas, quando abruptamente dois indivíduos mascarados fortemente armados adentraram o recinto, gritando que era um assalto. Logo, os truculentos assaltantes encostaram rispidamente as armas de fogo nas suas cabeças e alardearam que só queriam dinheiro, celulares e relógios. Nada de carros, cartões de crédito ou documentos. Quem chiasse morria. Quando se deram conta, os bandidos tinham levado tudo em menos de cinco minutos. As vítimas ainda tentavam recobrar o fôlego, quando notaram que na mesa do restaurante, entre as garrafas e pratos, havia restado despercebido um destes celulares minúsculos. Uma das vítimas usou-o para telefonar para o seu celular roubado. Para sua surpresa, uma voz agressiva atendeu. A vítima com muito sangue frio e paciência para quem acabara de ser assaltado, foi logo apelando para que o indivíduo não desligasse. Tratou-o com vênias e reverências, mas resumidamente explicou que aquele celular era de um médico trabalhador, que continha uma agenda com telefones de pacientes, de colegas, era um instrumento essencial para salvar muitas vidas e fez um apelo para que ele botasse o chip em um envelope e deixasse em um lugar qualquer onde pudesse pegá-lo. Para sua surpresa, ele conseguiu terminar o seu apelo. Surpresa maior ainda o aguardava. O assaltante respondeu-lhe com um monte de palavrões, que não gostava de fazer aquilo, mas que era pai de família, tinha filhos na escola e usando agressões e xingamentos, responsabilizou o governo do Estado que não lhes dava o aumento merecido. A vítima já garantiu que abandonou definitivamente os gramados. Este assalto pode não ter nenhuma conotação com a fuzilaria da casa do comandante da guarnição de Arapiraca, a fuga do Tigre dos seqüestradores do Juiz e outros crimes, mas cada vez fica mais evidente a necessidade de uma Corregedoria forte e isenta para as polícias alagoanas. Os exemplos são óbvios, o primeiro e indispensável passo para se reduzir a criminalidade e a violência é a depuração da polícia. É preciso esclarecer definitivamente para a sociedade que a polícia é majoritariamente saudável e nada tem a ver com o aumento da criminalidade entre nós e separar o joio do trigo. (*) É médico e professor da Uncisal.

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