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Opinião

Solidariedade a um �cone da comunica��o

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| Edberto Ticianeli * Como ouvinte assíduo dos programas radiofônicos do Edécio Lopes, a exemplo de milhares de alagoanos, sinto-me desrespeitado por não ter mais o direito de ouvi-lo em suas ?Manhãs Brasileiras?. Não vou me ater à forma desrespeitosa como teve o seu programa interrompido, numa verdadeira agressão à história do rádio alagoano. Prefiro lembrar que este comunicador, de origem pernambucana, é responsável, por exemplo, pela vitalidade do frevo nos nossos carnavais. Quantos artistas, intelectuais, políticos, empresários etc. tiveram o seu espaço no ?Manhãs Brasileiras?? Lembro que durante o regime militar, quando a censura era uma prática comum, foi Edécio Lopes quem deu espaço no rádio para manifestações da oposição. Particularmente, abriu seus microfones para o senador Teotônio Vilela, o pai, num momento em que o Menestrel dirigia duras críticas ao governo dos generais. Fizeram história os grandes debates envolvendo José Costa, Divaldo Suruagy, José Moura Rocha, Guilherme Palmeira, entre outros grandes nomes da política alagoana. Alagoas tem uma dívida com Edécio Lopes. Escrevo isso com a isenção de quem não concorda com muitas das idéias e posições políticas dele. Contudo, não posso deixar de reconhecer que o rádio alagoano fica menor sem a polêmica inteligente deste radialista. Não podemos deixar sem respostas atitudes antidemocráticas de um representante do governo estadual, tomadas com o estranho silêncio do governador. Exigir que os programas sejam gravados e que a relação de entrevistados seja aprovada pela direção do Instituto Zumbi dos Palmares é retrocesso! É censura! Divergências acerca de procedimentos administrativos são normais, assim como são usuais ajustes de programação. O inadmissível é uma emissora pertencente ao Estado cerrar suas portas a um dos comunicadores que mais têm contribuído para o debate político e cultural em Alagoas. Sei que vários amigos de Edécio estão promovendo uma manifestação de solidariedade no domingo, 6 de maio às 11 horas na Praia de Ponta Verde. Incluo-me entre os que lá estarão para dizer que os alagoanos não aceitam que a história deste profissional seja manchada por esta tentativa de humilhação a quem tem tantos serviços prestados ao nosso Estado. Quem escolhe Alagoas para trabalhar, viver e criar seus filhos com dignidade não pode ser tratado desta forma. (*) É ex-vereador e ex-secretário da cultura.

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