Opinião
Avan�a o caos - Editorial
Como se não fossem suficientes todas as evidências do descalabro no qual se encontra a segurança pública brasileira, ações terríveis ampliam a visão do caos. É o caso do fuzilamento dos dois policiais militares cariocas no dia 1º de maio, no Rio de Janeiro. O sangrento episódio tem, no mínimo, três grandes significados ? todos negativos. Primeiro, a ação é um insulto à cidadania, pois o duplo assassinato aconteceu no exato local onde foi registrada uma tragédia que chocou o País: o trucidamento do menor João Hélio, arrastado do lado de fora de um veículo, ainda no mês de fevereiro deste ano. Segundo, ao matar policiais no posto de serviço, marginais reafirmam sua capacidade de enfrentar, à mão armada e sem temores, o aparelho de Estado. Terceiro, ao levarem o armamento dos policiais alvejados, os criminosos comprovam que as armas, ao invés de impedir, são objetos motivadores do crime. Somando os três significados, a conclusão é a pior possível: os criminosos se dão ao direito de despachar ameaças e fazer sangrentas demonstrações de força à toda sociedade, e nesta realidade, nem a polícia bem armada pode ser considerada um refúgio seguro para os brasileiros de bem. Mais uma vez, está colocada a necessidade de uma reformulação geral na política de segurança pública. Mais uma vez, está comprovada a ineficiência de arroubos e improvisos na ação de enfrentamento do crime organizado (como no caso citado, serviu apenas de estímulo ao crime a colocação do plantão policial no ponto onde o menor João Hélio foi morto). Para nada servem pedidos de socorro do tipo ?intervenção federal? nos Estados. De nada adianta o desfile das forças armadas nas favelas. Quanto mais se posterga a decisão da declaração de guerra ao crime organizado, mais forte e ousada se faz a iniciativa dos bandidos.