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Opinião

O lix�o de Macei�

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| Marcos Carnaúba * Quando presidente do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas enfrentei problemas crônicos que envolviam a saúde, a segurança da população e de aeronaves usuárias do aeroporto Zumbi do Palmares. O combate aos riscos do choque de aeronaves com urubus foi iniciado em 1995 envolvendo o lixão de Maceió, o lixo a céu aberto no Benedito Bentes em Rio Largo e Satuba e a adequação de matadouros e abatedouros. Adentrava em áreas estranhas à população que desconhece, até hoje, ser o impacto de um Boeing com um urubu ? durante a aproximação, pouso e decolagem ? equivalente a se chocar contra cerca de sete mil e quinhentos quilos. Algum sucesso foi obtido no controle de matadouros e abatedouros, clandestinos, ou não, com o apoio de empresas privadas e do próprio Estado, mas o lixão continuou sob propostas mirabolantes para neutralizar a autocombustão e tornar inócuo o chorume, líquido que contém mais poluentes do que se imagina, vários deles cancerígenos, se infiltra no solo contaminando águas subterrâneas consumidas pela população. O processo proposto envolvia engenharia genética e, em síntese, misturava bactérias do rúmem de vacas com outras do chorume, criando uma terceira a ser aspergida sobre o lixão com o intuito de neutralizar os poluentes como um passe de mágica. Os riscos inerentes ao uso de engenharia genética sem comprovação científica me fizeram submeter o processo à apreciação do Conama que o embargou em todo o Brasil até a realização de estudos consistentes. O lixão continuou lá durante todos esses anos sob estudos vários de nova localização, enquanto eu defendia a sua locação na CINAL combatida pelos que ora argumentavam a área ser muito distante, ora poluiria as lagoas ou comprometeria o turismo com o fluxo de caminhões na ilha de Santa Rita, desconsiderando o percurso via Satuba. Várias reuniões foram realizadas e o embate envolvia até argumentos estranhos como o de manter o lixão próximo à zona urbana como garantia de trabalho dos catadores de lixo cuja profissão, ingrata e humilhante, é fruto do descaso para com a pobreza de tantos miseráveis que dependem do lixo para se manter já que inexistem empregos mais dignos. Dez anos depois ainda está em discussão o local do futuro aterro sanitário uma obra da engenharia moderna, estanque e funcional, aprovada no mundo inteiro, exceto na terra dos Marechais. Os urubus continuam gordos e saudáveis! (*) É engenheiro civil e consultor.

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