Opinião
Via contempor�nea - Editorial
Maravilha: que bom exemplo! No Alto Sertão alagoano, considerado inóspito para muitos, a criatividade encontra campo fértil para desenvolver iniciativas de valor. Conforme reportagem publicada em nossa edição de anteontem, no município sertanejo de Maravilha, um projeto (simples e objetivo) está sendo tocado a partir da descoberta de ossos fossilizados de animais pré-históricos viventes naquelas áreas há dezenas de milhares de anos. A escultura reproduzindo uma preguiça gigante é o destaque na praça central da cidade. E não está só, pois outros tantos seres anteriores ao homem foram revividos em estopa, cimento, argamassa, tinta, arte e muita disposição de trabalho. Será ótimo para Alagoas se esse exemplo maravilhoso for seguido. Registros pré-históricos vicejam em diversos municípios do Sertão alagoano. Além dos animais anteriores aos humanos, existem outros tantos registros de comunidades humanas antiguíssimas espalhados. E menosprezados, abandonados foram e estão sendo dilapidados. Em alguns casos, a dilapidação foi oficial, foi custeada por verbas federais, sob a incúria do governo local, como no caso do seqüestro de referências materiais pré-históricas retiradas do Sertão alagoano e transferidas para o museu de Xingó, localizado em Sergipe. Nada contra os sergipanos terem o seu museu, mas idêntico direito têm os alagoanos. E ainda é tempo de se brigar para reparar esse erro histórico (erro só nosso, alagoano, em deixar tal coisa acontecer). Mas, enfim, que maravilha: alagoanos começam a valorizar seu patrimônio pré-histórico. E o correto reconhecimento deste valor, além de se transformar em reforço do saber e do amor-próprio de uma comunidade, representa a possibilidade de ocupar espaço no cobiçado mercado do turismo cultural. É assim que se faz história!