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O mist�rio da amizade

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| Dom Fernando Iório * Boas amizades são mais importantes para nós hoje do que em anos passados. Todos desejamos possuir verdadeiras amizades. No século 18, a amizade floresceu na filosofia e na arte poética. Já o século 19 foi marcado pela fixação na família. Torna-se evidente que a procura por amizades nesse mundo de incertezas e de rompimentos de relações continua persistente. Em que consiste, realmente, a amizade? O filósofo Demócrito afirmou ser a amizade imprescindível para uma vida feliz. Atualmente, muitos pensam assim, mas, não poucas vezes, amizades se desfazem porque as expectativas são diferentes e não há idéias claras sobre ser amigos. Poetas e filósofos gregos e romanos baseavam a vida no tesouro da amizade. Estavam convictos de que precisa a pessoa da amizade se não quiser causar prejuízos à própria alma. Pitágoras, coordenador de um grupo de filósofos amigos, chamava a amizade de mãe de todas as virtudes. Quem só pensa em si é prisioneiro de si mesmo e incapaz de amizade. São muitos que experimentam a amizade como dádiva de Deus. Platão chegou a afirmar: ?Deus faz os amigos, trazendo o amigo para o amigo. Por isso, na amizade cintila um pouco o mistério de Deus?. Pessoa alguma fabrica a amizade, nem a compra nos supermercados, onde não se encontra compartimento algum vendendo amizade. Não sabem os amigos porque se tornaram amigos e como surgiu a amizade. Há sempre algo de misterioso encobrindo a amizade. De repente e muito mais que de repente, repentinamente ? ela aí se encontra, como se Deus abrisse as comportas do coração para um encontro de amigos. Para Platão, só pode ser amigo do outro quem é amigo de si mesmo, quem age, amigavelmente, consigo mesmo. Só gosta de alguém quem gosta de si mesmo. Segundo Epicuro a amizade é mais importante que a sabedoria, coloca no caminho da felicidade de uma vida, relativamente, realizada. Para ele, a amizade existe também para fazer viver, mais intensamente, a vida. Conforme o orador romano Cícero é a amizade doadora da alegria de viver tanto para os amigos, como para nós mesmos. O mesmo Epicuro, acusado de somente procurar o prazer, cantou a amizade num hino poético: ?A amizade dança uma roda em torno do mundo habitado e nos convida para uma vida feliz?. Epicuro para viver a amizade comprou, em 306, A. C. belíssima casa de campo para ali viver a presença constante dos amigos. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios.

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